Parece suficiente, mas não é

Notícia - 25 - jun - 2010
Nem selo de certificação, nem moratória de desmatamento, garantem completa proteção para as florestas nativas da Indonésia, derrubadas para plantação de óleo de dendê.

Orangotangos indonésios são as grandes vítimas do desmatamento da floresta nativa da Indonésia

Na Indonésia, governo cria selo que certifica o óleo de dendê sustentável depois de intensa campanha do Greenpeace, mas Sinar Mas, empresa produtora do óleo, ainda tem concessão para desmatamentos da floresta tropical.

Recentemente, o Presidente Yudhoyono proferiu a palavra certa – moratória – apesar dela não ser completa, nem extensiva a toda a área de floresta indonésia, lar de orangotangos e importante reguladora de emissões de CO2.

Mesmo com o sucesso da campanha do Greenpeace que conseguiu que grandes como Nestlé e Unilever cancelassem contratos com a Sinar Mas e o com o estabelecimento da moratória, a empresa ainda tem garantias de uso do solo para plantação não só para o dendê, como para produção de celulose e papel.

O processo que definiu os critérios do selo de certificação também foi alvo de críticas. “Não houve participação de nenhum acionista das empresas interessadas, ou representante de negócios, na elaboração deste selo. Os critérios devem ser transparentes, ou o selo vai virar pura maquiagem”, diz Joko Arif, da Campanha de Florestas da Ásia.

O Greenpeace cobra do governo indonésio que a moratória de desmatamento valha para todas as áreas, mesmo as de concessão da Sinar Mas. “A Indonésia e a indústria têm uma chance única de limpar a má reputação do óleo de dendê do país. O selo pode ser parte da solução, mas o desmatamento precisa parar primeiro”, conclui Arif.

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