Avaliação das negociações na Rio+20

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Notícia - 19 - jun - 2012
Durante a madrugada desta terça-feira - e depois de extenso debate sobre o parágrafo de oceanos – ficou pronto o Rascunho Zero, texto que o Brasil apresentará para ser debatido e aprovado pelo chefes de estado presentes na Rio+20.

O Greenpeace acredita que não há mais chances de se conseguir progressos, ainda que pequenos. A única questão que ainda poderia oferecer uma esperança de avanço, o texto sobre oceanos, foi atacada.

Segue a declaração de Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional a respeito do Rascunho Zero:

"A Rio+20 se transformou em um fracasso épico. A conferência falhou em termos de equidade, de ecologia e de economia. Prometeram-nos 'o futuro que queremos', mas agora seremos unicamente uma máquina poluidora que vai cozinhar o planeta, esvaziar os oceanos e destruir as florestas tropicais.

Este não é um alicerce sobre o qual faremos economias cresceram ou com o qual conseguimos retirar pessoas da pobreza. É a última vontade e testemunho do modelo de desenvolvimento destrutivo do século 20.

A única coisa sensata que estava na mesa de negociações até ontem à noite foi o lançamento de um Plano de Resgate dos Oceanos para as águas em alto mar. Mas isso também foi derrubado pelos Estados Unidos, Canadá, Rússia e Venezuela, que querem explorar os mares visando o lucro privado, apoiados na impunidade e na extinção dos recursos que pertencem a toda a humanidade.”

Os líderes mundiais começam a chegar ao Rio hoje e precisamos perguntar o por quê. Nos prometeram uma economia verde, o futuro que queremos, mas tudo o que vislumbramos são três dias mais de Greenwash.

Do G20 à Rio+20, esta não é uma boa semana para o planeta. Enquanto bilhões são gastos para salvar os bancos e outros bilhões mais para subsidiar a indústria dos combustíveis fosseis, está claro qual é a agenda que nossos líderes estão seguindo, a dos negócios das companhias poluidoras.”

Análise do texto ponto a ponto

Oceanos

A última possibilidade de um resultado sensato que ainda estava sobre a mesa de negociações no Rio também foi extinta. O novo parágrafo sobre o compromisso em alto mar deixa de reconhecer a urgência da situação dos oceanos, adiando para 2014 qualquer decisão sobre possíveis ações a serem tomadas. Mesmo assim não há garantia de que será negociado um novo acordo capaz de virar a maré da exploração em alto mar.

O texto agora pende para a posição destrutiva dos Estados Unidos, Canadá e Venezuela.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (SDGs, na sigla em inglês)

Durante os últimos 18 meses os governos conseguiram concordar que poderia ser uma boa ideia introduzir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que são universalmente, mas não juridicamente, vinculados.

Isso é tudo o que eles concordam. Os países nem sequer foram capazes de fazer progressos no acordo dos temas dos Objetivos aqui no Rio. Tudo o que eles produziram foi um processo inadequado e complicado para futuras discussões.

Meios de Implementação

Não há dinheiro para investimento, apenas uma vaga promessa de um processo que vai avaliar os compromissos não cumpridos pelos países desenvolvidos, para fornecer apoio financeiro aos mais pobres.

Isso significa que as coisas permanecem do jeito que estão. Os governos ficam longe de agir no caminho de um “financiamento inovador”. Se eles fossem sérios, teriam se comprometido com um Imposto sobre Transações Financeiras.

Quadro Internacional para o Desenvolvimento Sustentável

O texto não consegue criar as instituições necessárias para finalmente atingir o desenvolvimento sustentável. Os governos não conseguiram transformar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) numa Agência financiadora, apesar de forte apoio da União Europeia e África. Há um apoio político para algum investimento e mais poder para o PNUMA, mas o ambiente deixa de ter a voz global que necessita.

Há um compromisso para, eventualmente, substituir a enfraquecida Comissão para o Desenvolvimento Sustentável. Mas, em vez de criar um novo corpo para o Desenvolvimento Sustentável no Rio, está sendo lançado um processo que pode resultar apenas em mais falatório.

Economia Verde

A seção de economia verde não faz qualquer sentido. Ela descreve apenas princípios muito gerais. Os países são livres para definir para si o que é verde e que não é, e são livres para simplesmente decidir não fazer nada. Mesmo o mecanismo de desenvolvimento de capacidades para uma economia verde, proposto pela União Erupeia, foi eliminado.

O acordo da Agenda 21, feito há 20 anos, tinha mais ingredientes de uma economia verde do que esta. Em termos do preço da poluição, de medir o que importa (ao invés do PIB) e de respeitar a capacidade de suporte da Terra, nós retrocedemos.

Não há economia verde aqui, só um tipo de maquiagem verde. 

Florestas

O texto de florestas é uma vergonha imensa. Não apresenta simplesmente nada.

Energia

Não há novas metas para as energias renováveis ​​e no campo “Ano de Energia Sustentável para Todos”, esta conferência não oferece nada para os 1,4 bilhão de pessoas que não têm acesso a energia, cujas necessidades podem e devem ser atendidas por energia renovável.

Subsídios aos combustíveis fósseis

Não há qualquer compromisso de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis neste texto. Os governos lutaram arduamente para ter um texto que, para as pessoas e o planeta, simplesmente não faz sentido.

Este é um dos exemplos mais claros de que os governos estão ouvindo os poluidores e não as pessoas.

2 Comentários Adicionar comentário

(Não registado) betina002 says:

Prometeram-nos 'o futuro que queremos' mas infelizmente hoje o que o povo quer é dinheiro mais e mais, poucos pensam num bem ambiental.En...

Enviado 21 - jun - 2012 às 9:14 Denunciar abuso Reply

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(Não registado) agathabrunetta says:

interesses individuais, a palavra coletivo não consta no dicionário egoísta, ambicioso e econômicos destes aí. Agatha Pinesso...

Enviado 20 - jun - 2012 às 11:55 Denunciar abuso Reply

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