Fotografada nas últimas semanas, a imagem mostra que a plantação de palmáceas pela Sinar Mas continua manchada pelo desmatamento.
©Greenpeace/Rante
Maior fornecedora de óleo de dendê na Indonésia e gigante na produção de celulose e papel, a Sinar Mas continua deixando rastros de destruição nas florestas do país. Após uma série de denúncias que o Greenpeace fez nos últimos meses, o grupo se comprometeu a não botar mais suas máquinas em matas de alta biodiversidade e onde vivem espécies em risco de extinção, como os orangotangos. Mas o Greenpeace foi a campo e constatou que a promessa ficou no papel.
Reunindo dados de pesquisa, de campo, monitoramento aéreo e registros fotográficos, a organização mostrou à imprensa mundial, nesta quinta-feira, que a Sinar Mas continua quebrando seus compromissos. E que, apesar de tentar colar uma imagem sustentável à sua marca, o grupo tem a intenção de expandir suas garras ainda mais pelas florestas indonésias. Em documentos da empresa obtidos pelo Greenpeace, está a prova de que, além disso, ela pretende ocupar, pelo menos, mais um milhão de hectare na região.
“Nós constatamos que, apesar dos compromissos assumidos pela companhia, a destruição continua”, diz Bustar Maitar, coordenador da campanha de Florestas no Sudeste asiático. Por conta da falta de transparência, o Greenpeace pressiona para que o grupo divulgue um mapa detalhando todas as suas operações na Indonésia, para que se saiba como a empresa está atuando e para que sejam indicadas as áreas prioritárias à conservação.
Nos últimos meses, o Greenpeace divulgou diversas evidências de que a produção da Sinar Mas tem sido um dos principais vetores de desmatamento nas florestas tropicais e de turfa da Indonésia, ricas em carbono e moradia de espécies que estão à beira da extinção.
Após a pressão publica, grandes marcas que comercializavam com a Sinar Mas, como Nestlé e Unilever, já quebraram seus contratos com o grupo. A represália, porém, não parece ter sido suficiente para que a gigante limpe sua cadeia de produção. Enquanto ela continuar seguindo esse rumo, o Greenpeace vai continuar expondo a sujeira. “Se continuar por esse caminho, outras companhias vão suspender suas relações comerciais com a Sinar Mas”, garante Maitar. A escolha é dela.