Protesto na Bélgica contra madeira ilegal

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Notícia - 27 - abr - 2015
Em mais uma tentativa de alertar os responsáveis por impedir a entrada de madeira ilegal na Bélgica, o Greenpeace expõe a cegueira “surreal” das autoridades

Ativista segura faixa em protesto na Bélgica contra a entrada de madeira ilegal da Amazônia na Europa (© Greenpeace)

Ativistas do Greenpeace realizaram hoje em Bruxelas, capital da Bélgica, uma ação para denunciar a fragilidade do país na luta contra o comércio ilegal de madeira na Europa e exigir a implementação efetiva da legislação EUTR (Europe Union Timber Regulation), que proíbe a importação de madeira ilegal para o mercado europeu. Foi instalada uma “zona de madeira ilegal” em frente ao gabinete do Ministério de Energia, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável belga, no centro político da cidade.

De forma bem-humorada, os ativistas fizeram uma alusão ao quadro “A Traição das Imagens”, do pintor surrealista belga do século XX, René Magritte, que retrata um cachimbo onde se lê “isso não é um cachimbo”. Eles reproduziram o quadro (com a imagem de uma tábua no lugar do cachimbo) sobre um terraço de madeira de origem suja da Amazônia onde se lia: “isto não é madeira ilegal”, fazendo uma referência ao fato de que as autoridades europeias estão negando aquilo que estão vendo.

Tablado de madeira com origem suja da Amazônia abaixo de imagem onde se lê "isto não é madeira ilegal", em referência a quadro do pintor surrealista belga René Magritte (© Greenpeace)

 

A prova dessa negligência “surreal” das autoridades é que a madeira utilizada no terraço que é palco do protesto em frente ao Ministério veio da serraria brasileira Rainbow Trading, que recebeu madeira ilegal no ano passado, rastreada e denunciada pelo Greenpeace. 

A ação tem como objetivo expor a cegueira dessas autoridades em relação à má aplicação das regras da EUTR na Bélgica. A EUTR entrou em vigor no início de março de 2013, porém, tanto na Bélgica como em outros países europeus, pouco tem sido feito para colocá-la em prática de forma eficiente, o que acaba facilitando a entrada de madeira ilegal no mercado Europeu e agravando o problema na Amazônia. O ponto crucial da Lei é o fato de que as empresas importadoras são obrigadas a avaliar e mitigar o risco da madeira ser ilegal antes de compra-la e no Brasil, está muito claro: o risco é muito alto.

“O mercado europeu é um dos principais destinos da madeira ilegal e a falta de combate nessa porta de entrada acaba servindo como um estímulo aos criminosos da outra ponta, tanto os que extraem a madeira de forma predatória, quanto os que receptam e comercializam essa madeira. Por sua vez, as autoridades brasileiras, responsáveis pelo problema no Brasil, também devem combater a extração de madeira ilegal na sua raiz. Embora algumas medidas futuras tenham sido anunciadas, muita madeira ilegal ainda está circulando dentro e fora do país e quem perde com isso é a floresta”, afirma Marina Lacôrte, da campanha da Amazônia do Greenpeace.

Mesmo com o Greenpeace alertando essas autoridades desde maio de 2014 e fazendo ações de protesto para que os responsáveis enxerguem o problema, nenhuma destas autoridades tem tomado providências efetivas para impedir que madeira ilegal entre no mercado europeu. Até mesmo algumas empresas já responderam por meio da quebra de contratos, mas as autoridades continuam fechando os olhos.

Apesar dos inúmeros apelos feitos às autoridades europeias, carregamentos dessa madeireira continuaram chegando no porto de Antuérpia, entre outubro e dezembro, mesmo após a denúncia. Apenas um desses carregamentos foi bloqueado pelo órgão ambiental, mas liberado posteriormente, mesmo tendo sua origem contaminada por madeira ilegal e mesmo sem ter havido investigação que comprovasse de fato a legalidade do produto. Já outros containers nem inspecionados foram.

"Não é desta forma que o nosso país vai contribuir eficazmente para a luta contra o comércio ilegal de madeira", afirmou Jonas Hulsens, campaigner de florestas do Greenpeace Bélgica.

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