Notícia - 27 - abr - 2011
Ativistas do Greenpeace oferecem peixes de Fukushima e batatas de Chernobyl na porta de almoço promovido pela Eletronuclear para promover energia atômica a empresários.
Manifestantes protestam em frente ao evento oferecido pela Eletronuclear para promover energia atômica no Rio de Janeiro. Juan Villas/Greenpeace
O cardápio do almoço oferecido hoje pelo ex-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, a executivos no Rio de Janeiro ganhou um tempero indigesto: radioatividade. Na porta do encontro, promovido pelo ex-almirante no intuito de ressaltar os supostos benefícios do programa nuclear brasileiro, ativistas do Greenpeace serviram peixes e batatas, simbolizando a contaminação das águas de Fukushima e dos solos de Chernobyl, regiões afetadas por graves acidentes atômicos.
Quem chegava para o almoço na sede do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF), no centro da cidade, por volta do meio-dia, era recebido na porta por um manifestante vestido de cozinheiro, oferecendo em uma bandeja os ícones da contaminação alimentar. Dois cartazes advertiam ainda que consumir alimentos atômicos causa diarreia e impotência. Houve constrangimentos entre os convidados. O ex-almirante não apareceu na porta para degustar o menu. No convite para o evento, cuja tema era “a razão de se explorar energia nuclear”, a Eletronuclear classificava o desastre japonês de “incidente”.
“Em um momento dramático para o mundo, em que o aniversário de 25 anos do acidente nuclear de Chernobyl, atual Ucrânia, divide a atenção com outro sério desastre, de igual proporção, em Fukushima, no Japão, o presidente da Eletronuclear promove encontro para fazer lobby com empresários em favor de uma energia perigosa para o Brasil”, diz Pedro Torres, da Campanha de Clima e Energia. “Esta atitude é arrogante, insensível e completamente descabida”, classifica Torres.
Na véspera do aniversário de Chernobyl, dia 25 de abril, segunda-feira, o Greenpeace reuniu seus ativistas no Rio de Janeiro e simulou um acidente nuclear com um gás laranja não tóxico em frente à sede do BNDES, com um pedido ao banco para que interrompa o apoio econômico que dá para a construção da usina de Angra 3. A Alemanha, parceria do projeto, anunciou revisão de sua cota de contribuição ao projeto.
“O Brasil tem potencial de sobra para abastecer sua demanda de energia e crescer economicamente com energias renováveis como eólica, solar e biomassa, dispensando o uso de nuclear”, afirma Pedro Torres. “Ainda assim, na contramão da postura de diversos países, que após o recente desastre japonês começaram a reavaliar seus projetos nucleares, o governo brasileiro se mantém calado frente a este debate”, conclui Torres.