Ativista samba para passar mensagem contra Angra 3 ©Nicolas Chauveau/Greenpeace
Em plena final do torneio French Masters de tênis, ativistas do Greenpeace dançaram um "samba de uma nota só", em homenagem às avessas ao banco BNP Paribas, patrocinador do evento, que só sabe investir em nuclear e ignora o potencial das energias renováveis.
O BNP Paribas é o maior financiador do mundo de energia nuclear. Está por trás, inclusive, da construção de Angra 3, no Rio de Janeiro.
Quatro ativistas do Greenpeace, com faixas dizendo "BNP, pare os investimentos radioativos", levaram a mensagem aos espectadores do jogo, muitos clientes do banco, antes de serem levados pelos seguranças. Ontem, outro protesto também realizado durante o torneio passou a mesma mensagem.
"O banco está brincando com a segurança dos brasileiros. Ao utilizar o dinheiro de seus clientes para financiar a construção de Angra 3, o BNP investe em um programa nuclear perigoso e obsoleto", afirma André Amaral, coordenador da campanha de nuclear do Greenpeace no Brasil. "O Brasil não precisa de um reator nuclear. O país tem bastante potencial para basear-se em fontes de energia renováveis. A construção de Angra 3 tem de ser cancelada."
A construção de Angra 3 começou em 1984 e foi interrompida em 1986, depois do desastre nuclear de Chernobyl, quando os bancos retiraram seu financiamento de projetos do tipo. A maioria dos equipamentos que serão usados para finalizar o reator é anterior a Chernobyl e mofa no local há 25 anos. Na França, por exemplo, país-sede do BNP, eles não poderiam ser usados - mas no Brasil nada é questionado.
Outros problemas demonstram que a construção de Angra não deveria sair do papel. Só existe uma estrada de acesso ao local, que é frequentemente bloqueada devido a deslizamentos de terra. O Brasil ainda não apresentou uma solução permanente e segura para a estocagem dos rejeitos nucleares, assim como nenhum outro país do mundo.
Não houve nenhuma análise adequada de segurança da usina, com violação de normas internacionais. Em julho, um promotor público brasileiro chegou a recomendar à Eletronuclear e à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que brecassem o projeto.
"Os clientes do BNP deveriam exigir que o banco use seu dinheiro para apoiar uma corrida na direção de um futuro energético seguro e renovável, ao invés de ressuscitar um artefato perigoso", afirma Jan Beránek, coordenador da campanha de nuclear do Greenpeace Internacional. "O Brasil não precisa de mais energia nuclear, pois tem recursos hídricos, eólicos e de biomassa abundantes para gerar energia – todas as opções são mais baratas e não trazem passivos ambientais e de segurança."