Sem governo, São Paulo reza por chuva

Notícia - 15 - jul - 2014
Gestão de Geraldo Alckmin falha ao não adotar medidas efetivas contra a escassez de água e expõe a população da metrópole e do Estado ao risco de colapso por desabastecimento

 Desde a semana passada, as represas do Sistema Cantareira, que abastece 8,1 milhões de habitantes da Grande São Paulo, estão operando em sua reserva técnica, o chamado volume morto, nível de água localizado abaixo das comportas das represas. Além do impacto do consumo deste volume sobre a ecologia dos reservatórios – é difícil garantir que as represas se recuperarão – o perigo de desabastecimento da maior cidade brasileira parece cada vez maior. A escassez, por sinal, avança dos bairros periféricos da capital (onde o racionamento faz parte da rotina e vem sendo cada vez mais comum) para as regiões mais ricas de São Paulo. Cidades do interior paulista, como Itu e Campinas, também estão sofrendo com a falta de água.

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Há um mês, o Greenpeace, preocupado com a situação, foi ao Palácio do Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, para entregar uma carta ao governador Geraldo Alckmin com demandas estratégicas (a carta pode ser lida aqui). As propostas visam apontar soluções para atenuar e resolver a crise da água em São Paulo, cenário que se repete de tempos em tempos - sempre com tons mais dramáticos - como resultado da má gestão e da falta de planejamento, por parte do governo de SP, sobre os recursos hídricos da região. O documento ainda lembra que a Política Estadual de Mudanças do Clima (PEMC), criada em 2009, ainda não saiu do papel e pede que ela seja transformada em realidade. A PEMC prioriza a implementação de ações de prevenção e adaptação às alterações produzidas pelos impactos das mudanças climáticas.

No entanto, não há resposta do governador. Alckmin perde a chance de se mostrar preocupado com a questão, expondo a falta de transparência do seu governo e a incompetência em abrir o diálogo com a população. Para piorar, a cada dia que passa o governador expõe sua incapacidade em tomar medidas concretas, adotando apenas ações paliativas motivadas por cálculos eleitoreiros e, portanto, muito aquém do que se espera de um governo responsável. Um exemplo é o recuo em taxar quem não economizar água.

Nas últimas semanas, com o agravamento da escassez, o que vemos é um salve-se quem puder de uma população desamparada pelo poder público. Paulistanos já cavam poços artesianos no quintal de casa, conforme reportagem publicada na Folha de S. Paulo no domingo 13. Em Itu, cidade da região de Campinas, uma das mais afetadas pela falta de água, moradores chegaram a fazer procissão para pedir chuva – a cidade já está sob regime de racionamento há cinco meses. Mas seria bom também fazermos todos uma reza brava – em forma de pressão política - para que o governador Geraldo Alckmin acorde e assuma a responsabilidade que lhe foi conferida pela população – sob o risco da maior metrópole do Brasil entrar em colapso.