Notícia - 10 - ago - 2010
Sinar Mas contrata auditoria para tentar derrubar denúncias sobre sua produção predatória na Indonésia. Mas dados vão contra a própria empresa.
Encurralada com as denúncias do Greenpeace de que sua produção está destruindo as florestas tropicais e de turfa da Indonésia, a Sinar Mas tentou limpar sua barra, e contratou uma empresa de auditoria para tentar contrapor os dados da organização. A auditoria ficou pronta e, para tristeza da companhia, ela mostra justamente o que o Greenpeace apontou: a gigante na produção de celulose e papel e maior fornecedora de óleo de dendê no país asiático continua deixando rastros de devastação.
Segundo os dados levantados, foram identificados desmatamentos sem autorização em oito de 11 áreas onde a empresa atua. Uma contradição à postura que vende publicamente, de que segue à risca as leis do país asiático. E apesar de ter assumido compromisso de não empurrar mais sua produção para áreas prioritárias à conservação, a auditoria mostra que a companhia fez justamente o contrário.
Os dados são claros, mas ainda assim a empresa tenta sair pela tangente. Para os jornais, a Sinar Mas fez uma releitura da auditoria, dizendo que, ao contrário das denúncias do Greenpeace, sua produção é pra lá de sustentável. “Já mostramos diversas vezes que a Sinar Mas diz uma coisa e faz outra”, diz Bustar Maitar, coordenador da campanha de Florestas no Sudeste asiático. “Em vez de agir para solucionar os problemas constatados, que evidenciam a destruição das florestas indonésias, a companhia tenta vender uma imagem verde”.
Nos últimos meses, o Greenpeace divulgou diversas provas de que a produção da Sinar Mas tem sido um dos principais vetores de desmatamento nas florestas tropicais e de turfa da Indonésia, ricas em carbono e moradia de espécies que estão à beira da extinção.
Apesar das evidências, a empresa tem preferido o discurso à prática. Enquanto fala da importância de preservar o meio ambiente, os problemas atuais continuam sem solução. E a companhia já tem a intenção de expandir sua produção para, pelo menos, mais um milhão de hectare na região, conforme documentos obtidos pelo Greenpeace. Uma ameaça a espécies que já estão à beira da extinção, como orangotangos, e ao equilíbrio climático mundial, com a emissão de gases de efeito estufa resultante do desmatamento.
Assista ao vídeo que expõe algumas das mentiras da Sinar Mas (em inglês):