Um peso, duas medidas

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Notícia - 26 - mai - 2010
Últimas do Golfo: ativistas indiciados por manifestarem contra exploração de petróleo no Ártico. Enquanto isso, BP aguarda avanços em contenção.

Ativistas pintam barco em protesto contra exploração de petróleo no Ártico. @Greenpeace

Os sete ativistas do Greenpeace que há dois dias subiram em um navio de exploração petrolífera ancorado em porto da Lousiana, nos Estados Unidos, para protestar contra o vazamento de óleo no Golfo do México e exigir o fim da exploração petrolífera em alto-mar foram indiciados por invasão de propriedade.

Correm também o risco de caírem na malha da lei antiterror americana por invadirem infra-estrutura considerada crítica para a economia do país. Os executivos da BP, empresa responsável pelo atual vazamento no Golfo, o maior da história americana, não sofreram qualquer sançao legal até agora. 

A manifestação, levada a cabo em águas da Lousianna cobertas com óleo vazado pelo acidente com a plataforma Deepwater Horizon em 20 de abril, teve como palco um navio da Shell. Usando o óleo encontrado no local, ativistas pintaram os dizeres “Ártico é o próximo” no passadiço da embarcação, que está de partida para o Alasca para dar início a projeto de exploração de petróleo encabeçado pela Shell, com anuência do governo americano. Os esforços podem ter sido parcialmente bem sucedidos, pois, apesar de ainda não confirmado, está prometido para o dia de hoje (27) um anúncio oficial de moratória de seis meses de exploração de petróleo no Ártico.

Em resposta ao indiciamento dos ativistas, presos durante o protesto mas liberados depois de comparecerem frente à um juiz, o Diretor Executivo do Greenpeace nos Estados Unidos, Phil Radford, exortou as autoridades a penalizarem a BP, não quem fez o protesto. “Processar nossos ativistas por uma manifestação pacífica foi uma resposta desproporcional, especialmente se considerarmos que os executivos da empresa responsável pelo maior desastre com petróleo da história americana não sofreram ainda nenhum processo”, disse Radford. 

Desde ontem (26), as expectativas estão altas no Golfo. A BP colocou em prática uma nova técnica, chamada “Top Kill”, nunca antes experimentada em profundidade, para paralisar o vazamento. A ideia é tapar o buraco com um misto de lama e cimento. A expectativa de sucesso é de 60%, mas a empresa vem afirmando que o esforço está sendo bem sucedido. O jornal The Guardian publicou um gráfico animado que explica sobre a técnica do Top Kill.

Aprender com os erros

Elizabeth Kolbert, na revista The New Yorker, lembra que acidentes deste tipo são fruto sobretudo da sede insaciável do planeta. Como ele está se esgotando, somos obrigados a ir cada vez mais longe, no caso do mar, cada vez mais fundo, para buscá-lo. E o drama é que não temos tecnologia para enfrentar acidentes em locais tão distantes, como prova o acidente com a Deepwater Horizon. Kolbert recorda como, em 1968, um desastre envolvendo um poço da Union Oil Company Califórnia (hoje pertencente à Chevron) provocou comoção e protestos entre os americanos.

A explosão seguida de vazamento aconteceu próxima à costa de Santa Bárbara, Califórnia, e liberou centenas de milhares de barris de óleo em dez dias de buraco aberto. Fichinha perto do que está acontecendo no Golfo do México, onde o equivalente ao acidente de Santa Bárbara vaza diariamente.  O óleo que continua viajando pelo Golfo – atingiu a costa da Lousianna, área de Refúgio de Vida Silvestre e pode estar rumando, via corrente marítima, para as águas da Flórida, vem obrigando o governo a interditar a cada dia novas áreas de pesca. Isto, ao invés de interditar novos poços de exploração.

Em recente coluna, publicada em seu blog, a jornalista Miriam Leitão fala do cenário brasileiro para os planos de exploração de petróleo no pré-sal. O Brasil decidirá pelo sistema de concessão, em que apenas a empresa fica responsável por danos, ou pelo de partilha, em que governo e empresa se responsabilizam no caso de acidente. Para Leitão, tanto um quanto o outro não mudam o fato de que o país não está preparado para um acidente deste porte.

A jornalista ouviu especialistas no assunto que garantiram: no Brasil não há plano de emergência para o caso de acidentes, nem capacidade logística para produzir ou importar dispersantes – produtos que auxiliam na dissolução do óleo. Com a agravante de que a nossa exploração será mais profunda e ainda mais longe do que a do Golfo do México.

2 Comentários Adicionar comentário

Nelson Alexandre says:

Aqui no Brasil, as pessoas preocupadas com os oceanos precisam se antecipar, pois o festejado pré-sal, gerador de grandes expectativas econô...

Enviado 15 - jul - 2010 às 17:18 Denunciar abuso Reply

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EDSON ARRABAL says:

Não bastasse a farsa japonesa que quer inverter a responsabilidade no caso Tokyo Two...agora essa!!
Parece brincadeira; Uma tragédia a...

Enviado 27 - mai - 2010 às 0:49 Denunciar abuso Reply

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