Uma vida por um mundo melhor

Notícia - 26 - jul - 2010
Duas semanas após a morte de Jim Bohlen, chega a vez de outra fundadora do Greenpeace. Dorothy Stowe manteve seus ideais até os 89 anos.

Dorothy Stowe em 2009, num evento em que o Greenpeace celebrava suas raízes.

Com um histórico recheado de ativismo social, foi há um mês que Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional, teve um dos momentos mais inspiradores de sua vida, segundo ele próprio. Foi quando encontrou com Dorothy Stowe, uma das fundadoras da organização. Com 89 anos, ela morreu na última sexta-feira, em Vancouver, Canadá.

Carregando otimismo e entusiasmo até seu último suspiro, Dorothy passou a vida tentando fazer do mundo um lugar melhor para se viver. Americana de berço e filha de judeus, ela creditava boa parte de sua inspiração ao seu pai, um homem “idealista e que queria justiça não só para os judeus, mas para qualquer um”. Seguiu a mesma linha.

Dorothy nem sempre foi Stowe. Seu sobrenome de certidão – Rabinowitz – deu lugar ao novo ainda na década de 1950. Era uma homenagem a Harriet Beecher Stowe, uma das feministas pioneiras nos Estados Unidos e abolicionista que ajudou a botar um ponto final na escravidão que manchava o país.

Em 1953, já psiquiatra e lutando pelas causas sociais, Dorothy casou com o advogado de direitos civis, Irving Strasmich. A comemoração foi na sede da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), organização que deu o pontapé inicial no movimento americano de direitos civis.

Unido pela aliança e pelos ideais, o casal deslanchou como ativista. Para isso, não foi só o registro de nascimento que Dorothy deixou para trás. Quando a Guerra do Vietnã começou, na década de 1960, os dois se recusaram a apoiar o conflito com o pagamento dos impostos, e abandonaram o país de origem, se mudando com malas e dois filhos para Nova Zelândia, onde protestaram na embaixada americana. O país também entrou na guerra, e a família Stowe acabou parando em Vancouver, Canadá.

A sede por justiça global não cessava, mas alguém precisava botar comida na mesa. Em comum acordo com o marido, Dorothy trabalhava para pagar as contas, garantindo que Irving pudesse continuar a trilha de ativista. Foi quando conheceram Jim Bohlen, co-fundador do Greenpeace e que morreu 15 dias antes de Dorothy, conforme noticiamos aqui. Bohlen foi autor da ideia que lançou no mar uma turma num pequeno barco para impedir testes nucleares em Amtchika.

O barco acabou ganhando o nome de Greenpeace, que virou uma organização espalhada por mais de 40 países pelo mundo. Em casa, Dorothy passou anos recebendo jovens ativistas para conversar e inspirar por uma causa que sempre acreditou. Ela nunca duvidou da força dos ideais, mesmo que eles sejam tocados por poucos. “É impressionante o que algumas pessoas sentadas em volta de uma mesa de cozinha podem alcançar”, disse, certa vez. Basta acreditar.

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