Vacilona da eficiência

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Notícia - 28 - ago - 2014
Em Betim, Fiat é relembrada do desafio de produzir motores mais modernos. Eficiência dos veículos brasileiros não pode acabar em pizza.

Ativistas em protesto na sede da Fiat, em Betim, em Minas Gerais, pedem que a montadora líder de vendas no país se comprometa com eficiência energética. (©Paulo Pereira/Greenpeace)

 Quase ninguém sabe que Turim, na Itália, foi capital do país entre 1861 e 1864, mas quase todo mundo sabe que esta é a  cidade-sede da Fiat, uma das maiores empresas automobilísticas do mundo e uma das líderes de vendas no Brasil. Líder de venda e de mercado no país, mas não de eficiência. O Greenpeace foi até a sede da empresa, em Betim, em Minas Gerais, para lembrá-la do desafio que foi lançado em abril deste ano que pede motores mais eficientes para os veículos brasileiros e que ela tem que deixar de vacilar.

A empresa foi surpreendida hoje pela manhã com ativistas que escalaram um dos portões de entrada e penduraram um banner que dizia ‘Não mate a Mama de desgosto’ e com um rolo de massa de seis metros que remetiam às tradicionais raízes italianas da marca. Também havia ativistas fantasiados de italianos com as mensagens “Carro moderno é carro eficiente” que pediam que a eficiência da Fiat não acabe em pizza, ou seja, que uma questão tão importante quanto a qualidade dos motores da empresa não seja ignorada.

 

Com o ‘lançamento do ano’, a organização colocou nas ruas, em abril, sua campanha por mais eficiência veicular e por incentivos à eletromobilidade. O carro da Idade da Pedra que circulou em São Paulo convidando o público a fazer um test-drive foi uma sátira que desafiava as três montadoras que mais vendem carros no país – Fiat, Chevrolet e Volskwagen – a adotarem tecnologia mais moderna em seus carros, para que eles consumam menos combustível e emitam menos gases de efeito estufa.

O estudo “Eficiência Energética e Emissões de Gases de Efeito Estufa”, feito pela Coppe/UFRJ em parceria com a organização, propõe que a indústria brasileira se comprometa com as mesmas metas de eficiência energética que já estão em voga na União Europeia, até 2021. Ou seja, o Brasil precisaria aumentar em 41% a eficiência dos veículos brasileiros, se tomarmos como base as taxas de 2011.

Com tecnologia mais moderna, o Brasil teria, em 2030, emissões mais baixas que as de hoje, mesmo que a frota de veículos dobre, como é estimado, e os brasileiros economizariam cerca de R$287 bilhões até 2030 já que consumiriam menos combustível. Pensar a emissão do setor de transportes é fundamental para o país já que este é um dos maiores responsáveis pelas emissões de gases estufa no Brasil. De 1990 a 2012, segundo o Observatório do Clima, o salto das emissões do setor foi de 143%, e continua aumentando. 

Dois dias depois do lançamento da campanha e após milhares de mensagens direcionadas à empresa, a montadora respondeu ao Greenpeace. Em seu posicionamento, enviado por e-mail à quem assinou a petição, a Fiat numerou várias medidas que mostravam seu comprometimento com inovações que reduzem o impacto ambiental de seus veículos.

Citou um de seus novos carros que emitem menos CO2 que a média e destacou que 97,5% de seus automóveis são flex, podendo ser abastecidos com álcool, combustível renovável. No entanto, motores flex não significam ganhos em eficiência e existem impactos socioambientais relacionados à produção de biocombustíveis no Brasil.

“Apesar dessa resposta, o Greenpeace mantém sua posição e reforça o desafio à Fiat. Se a empresa já é capaz de aplicar inovações em alguns de seus automóveis, por que não se compromete com as mesmas metas de eficiência energética europeias?”, disse Iran Magno, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. “A tecnologia existe, deve ser exigida nos veículos brasileiros e vamos pressionar a Fiat para que isso aconteça. Não aceitaremos respostas vazias”, concluiu Magno.  

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3 Comentários Adicionar comentário

(Não registado) Isnande Marques says:

Não chame os carros de carroças. As verdadeiras carroças de madeira, não poluem o ambiente. Não produzem gases tóxicos,...

Enviado 1 - set - 2014 às 11:40 Denunciar abuso Reply

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(Não registado) Isnande Marques says:

Há alguns meses, vi uma noticia de que o setor automobilístico estava em crise no Brasil.

Entretanto, esse mercado continua ...

Enviado 1 - set - 2014 às 11:37 Denunciar abuso Reply

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(Não registado) NILTON BR says:

Basta consultar sites especializados em carros - em idioma inglês - para perceber o desprezo com que a indústria automobilística trata ...

Enviado 28 - ago - 2014 às 10:28 Denunciar abuso Reply

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