Ventos de mudança sopram no Brasil

Notícia - 14 - dez - 2012
Em leilão de energia realizado hoje, empreendimentos de energia eólica e hidrelétrica disputaram as contratações.

Parque eólico de Osório, Rio Grande do Sul (©Greenpeace/Rogério Reis)

 

Foi realizado hoje o leilão A-5 que define as usinas que serão construídas e integradas ao sistema elétrico brasileiro em 5 anos.

O resultado final foi a contratação de 574,3 MW, divididos entre eólicas (281,9 MW) e hidrelétricas (292,4 MW), contrariando as expectativas, pois durante a fase da habilitação – momento em que os participantes do leilão se inscrevem – 84% dos projetos era de energia eólica.

A contratação de energia eólica de hoje fui muito aquém da esperada. Em leilões anteriores, por exemplo, se registrou uma média de 2.000 MW.

O resultado, entretanto, é um prêmio de consolação após o cancelamento do leilão A-3, em que a construção dos empreendimentos leva de 2 a 3 anos. Como neste tipo de leilão os empreendimentos devem ficar prontos entre dois e três anos, as instalações eólicas ganham vantagem em comparação com as hidrelétricas, por exemplo, que levam mais tempo para serem construídas. Já no leilão de hoje, A-5, o tempo de construção dos empreendimentos é de cinco anos, o que favorece as hidrelétricas.

Mesmo assim, o efeito direto da competição, resultado de uma grande quantidade de usinas habilitadas, foi notável. O preço final de R$87/MWh foi recorde, superando o valor de R$97/MWh alcançado no ano passado. Se por um lado mostra que as eólicas seguem competitivas, a despeito de fatores externos recentes, como a desvalorização do real e a alteração de regras de nacionalização pelo BNDES, por outro o baixo patamar preocupa novamente a viabilidade destes empreendimentos.

Quem paga o preço da alta competitividade eólica são os empreendimentos de outras fontes. As usinas de biomassa passaram em branco, sem nenhuma contratação. “A cogeração a bagaço de cana tem alto potencial no país e merecem mais atenção, seja em incentivos adicionais ou mesmo em um novo processos específicos de contratação”, afirma Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha Clima e Energia do Greenpeace Brasil.