Ativistas estendem faixa em Praga durante reunião dos EUA-Europa, pedindo urgência e liderança nos acordos climáticos.
O Greenpeace apela aos chefes de estado de todo o mundo que se
assumam pessoalmente a responsabilidade sobre as negociações pelo
clima. A organização acredita que essa seja a única maneira de
reverter o resultado inadmissível do encontro sobre o clima que
terminou hoje (8/4) em Bonn, na Alemanha. Depois de duas semanas
reunidos, governantes do mundo não chegaram a uma conclusão sobre
os principais assuntos da pauta: as novas metas de redução das
emissões de gases-estufa para os países desenvolvidos, que serão
incluídas no acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto, e programas
de financiamento para os países em desenvolvimento.
Também não houve consenso em relação aos países em
desenvolvimento. As nações desenvolvidas cobram metas de redução de
emissões daquelas em desenvolvimento. Essas, por sua vez, se
recusam a adotar qualquer meta antes da definição dos valores dos
financiamentos para mitigação e adaptação. A reunião de Bonn faz
parte de uma série de encontros para preparar o acordo que será
firmado em dezembro, em Copenhagen (Dinamarca). A próxima reunião
preparatória será em junho.
"Enquanto diplomatas e negociadores não mostravam a menor
vontade política de fechar um acordo sobre o clima em Bonn, no
mundo real, a Antártida continuava derretendo", afirma Guarany
Osório, coordenador da campanha de Clima do Greenpeace, que
acompanhou a reunião em Bonn.
"Os lideres do mundo têm que perceber que eles não podem mudar a
ciência, então têm mudar as políticas públicas urgentemente. A
ciência é clara, os números das metas e o valor do dinheiro para
salvar o clima são obscuros", diz.
O papel do Brasil é fundamental. "Agora precisamos de um empenho
pessoal dos governantes para que a falta de consenso nesta reunião
não comprometa o acordo de Copenhague. O presidente Lula, por
exemplo, deve pressionar os países desenvolvidos a adotarem metas
de redução de emissão, cobrar dessas nações que coloquem dinheiro
nas mesas de negociação e, ele próprio, também fazer investimentos
em projetos de adaptação e mitigação", afirma o diretor executivo
do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado. "Além disso, o presidente
tem que manter a coerência interna, barrando mudanças no código
florestal que estimulem o desmatamento, estimulando as energias
renováveis e impedindo a construção de usinas nucleares, criando
uma política de proteção aos oceanos", completa Marcelo Furtado,
diretor executivo do Greenpeace
O Greenpeace defende que todos os países se comprometam a
investir US$ 140 bilhões em medidas contra o aquecimento global
anualmente e cortar as emissões em 40%, em relação aos níveis de
1990.
Participação brasileira - Na reunião anterior sobre clima, em
Poznan (Polônia), o Brasil foi um dos destaques, graças ao Plano
Nacional de Mudanças Climáticas. Desta vez, no entanto, pouco se
ouviu sobre as metas anunciadas pelo ministro do Meio Ambiente no
final do ano passado.
O Greenpeace está trabalhando em nome de milhões de pessoas que
sofrerão com o aquecimento global, principalmente aquelas dos
países em desenvolvimento porque essas sofrerão os maiores
impactos.