Carga de madeira ilegal da Amazônia é bloqueada na França
Ativistas do Greenpeace deixaram nesta terça-feira o cargueiro
Galina III depois de terem ficado por mais de 24 horas a bordo da
embarcação carregada de madeira de origem ilegal vinda da Amazônia.
Eles impediram o navio de atracar no porto de Caen, localizado
no norte da França, onde iria descarregar toda a madeira.
Como resultado da ação, o governo francês anunciou que apoiará
nova legislação na União Européia regulamentando a importação de
madeira para evitar a compra de produtos de origem ilegal. A
informação foi confirmada pelo Ministro do Meio Ambiente da França,
Jean-Louis Borloo, em conversa por telefone com sua colega
brasileira, a ministra Marina Silva. O Greenpeace quer que a
Comissão Européia aprove em maio a proposta de reforma da
legislação e que a França apóie o processo. O país é o principal
consumidor de madeira da Amazônia, junto com Holanda, Espanha e
Portugual, e assumirá a presidência da Comissão Européia a partir
do segundo semestre de 2008.
"A madeira quando sai do Brasil já está toda legalizada, o que
não garante que ela tenha sido explorada de forma legal e as
empresas importadoras européias não podem usar isso como
justificativa. Graças à incapacidade do governo federal e governos
estaduais de controlar e monitorar o setor, e devido à impunidade e
corrupção, a ilegalidade na Amazônia ainda é regra e não exceção,
infelizmente", afirma Marcelo Marquesini, engenheiro florestal e
ativista do Greenpeace, que participou da atividade na França.
Confira como a madeira sai da floresta amazônica e chega até a
Europa:
Entenda ocaso:
O Greenpeace lançou na segunda-feira (dia 17/03) o
relatório Financiando a Destruição que revela como a produção
ilegal de madeira da Amazônia continua sendo um problema crônico
não resolvido pelo governo brasileiro e pelos estados da região -
apesar do tema ter sido incluído no Plano de Ação para Controle e
Prevenção do Desmatamento, lançado em março de 2004.
Estima-se que 80% da madeira explorada na região sejam
produzidos de forma ilegal. O governo Lula assumiu que pelo menos
63% da produção anual - 40 milhões de metros cúbicos - sejam
ilegais. Porém, a madeira sai dos portos brasileiros totalmente
legalizada graças às falhas no sistema de controle e monitoramento
da produção. As empresas importadoras européias, por sua vez,
justificam estarem comprando madeira com documentos legais quando,
na realidade, estão financiando a exploração ilegal que segue
destruindo grandes áreas de florestas, promovendo o desmatamento,
facilitando a grilagem de terras e incentivando a corrupção e a
violência contra comunidades.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por
aproximadamente um quinto das emissões globais de gases de efeito
estufa - mais do que todo o setor de transportes do mundo inteiro.
A Amazônia brasileira já perdeu 700 mil quilômetros quadrados da
sua cobertura florestal original nos últimos 40 anos - uma área
duas vezes e meia maior que o Estado de São Paulo. O desmatamento é
a maior fonte de emissões brasileiras de gases de efeito estufa,
colocando o país na posição de quarto maior poluidor do mundo.
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