Ativistas do Greenpeace soaram sirenes por mais de duas horas em Bonn, ao final da reunião da ONU sobre clima em Bonn, para alertar sobre a importância de se ter um acordo climático firme e urgente para evitar as piores consequências das mudanças climáticas.
Terminou hoje (12/6), em Bonn (Alemanha), sem nenhum avanço
significativo, mais uma rodada das negociações preparatórias para a
Conferência do Clima, que será realizada em Copenhagen (Dinamarca),
no final do ano. O Greenpeace agora apela aos líderes mundiais que
assumam pessoalmente a responsabilidade pelo acordo climático.
"O clima do planeta já está sofrendo alterações, não precisamos
de mais evidências de que medidas urgentes são necessárias. Para
recuperarmos o ritmo lento das negociações pré-Copenhagen e
fecharmos um acordo forte em dezembro será preciso a intervenção
pessoal do presidente Lula e dos demais chefes de estado", disse o
diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão.
"O que está em jogo é a vida de milhares de pessoas,
principalmente as mais pobres, que sofrerão com os impactos das
mudanças climáticas", disse Leitão.
Para o diretor de política da campanha de Clima do Greenpeace
Internacional, Martin Kaiser, o encontro do G8, que nos dias 8 e 9
de julho vai reunir em Roma os líderes dos países mais ricos do
mundo, será uma grande oportunidade para que se reverter o rumo das
negociações.
"Os chefes de estado dessas nações devem aproveitar para se
comprometer a cortar emissões e financiar os países em
desenvolvimento", afirmou.
À sociedade cabe pressionar seus governantes.
"É preciso o engajamento de toda a sociedade. Nossos governantes
não podem agir em nome de interesses próprios quando o que está
sendo negociado é o nosso futuro", afirmou João Talocchi,
coordenador da campanha de Clima no Brasil, que acompanhou as
negociações em Bonn.
Em alto e bom som - Na quinta-feira (11/6), ativistas do
Greenpeace dispararam sirenes durante duas horas e meia, nas
imediações da reunião em Bonn, lembrando a urgência das medidas de
combate às mudanças climáticas.
"Há um grupo de países que claramente não tem intenção alguma de
salvar o planeta das mudanças climáticas", disse Kaiser, do
Greenpeace internacional.
"Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Japão e Canadá estão
agindo como se não existisse uma crise climática mundial, colocando
seus próprios interesses acima de uma emergência global."
Para termos alguma chance de evitar um aumento da temperatura
global de 2ºC - limite para que as mudanças climáticas não sejam
irreversíveis -, estes países devem cortar 40% de suas emissões,
relativas a 1990, até 2020. E até 2050, precisam praticamente
eliminar as suas emissões de gases de estufa. Com as metas
anunciadas até agora, a temperatura média global subiria 3ºC ou
mais.
Na semana passada, uma coalizão inédita de ONGs apresentou um
documento com o conteúdo que deveria ser o acordo de Copenhagen.
Intitulado Tratado do Clima de Copenhagen, o documento foi proposto
pelo Greenpeace, WWF, IndyACT - a Liga independente dos Ativistas,
Germanwatch, Fundação David Suzuki, Centro de Ecologia Nacional da
Ucrânia e sugere o corte de 40% das emissões até 2020 e 95%, até
2050.