Apesar das muitas dúvidas - e algumas certezas - contra o milho transgênico, a maioria dos ministros do Conselho Nacional de Biossegurança autorizou o plantio e comercialização no país de variedades geneticamente modificadas da Monsanto e Bayer.
A Comissão Européia anunciou, na última semana, a nova lei de
pesticidas, que impede a renovação da licença de mercado do
agrotóxico glufosinato de amônio - usado em lavouras de algodão,
milho e arroz transgênicos, dentre outras culturas - em seus países
membros. Outros 21 pesticidas também entraram na lista.
Apesar da boa notícia, a lei só vale para as futuras licenças de
uso e suas renovações. Com isso, algumas substâncias perigosas
permanecerão sendo utilizadas até 2020, colocando em risco
populações e o meio ambiente.
A conclusão do corpo de cientistas consultados pela Comissão é
de que o glufosinato apresenta alto nível de toxicidade,
considerado impróprio para uso em lavouras e para consumo humano,
mesmo em quantidades mínimas.
O glufosinato é produzido pela Bayer, que também desenvolve
transgênicos resistentes a este tóxico. Um exemplo de transgênico
resistente a glufosinato é o arroz Liberty Link 62, que, no Brasil,
aguarda audiência pública antes de ser votado na CTNBio.
"A CTNBio deve avaliar o arroz transgênico resistente a
glufosinato com a mesma seriedade que levou a Comissão Européia a
banir este tóxico. Se for séria, a CTNBio não aprovará nenhum
transgênico resistente a glufosinato de amônio nos próximos anos",
comentou Rafael Cruz, coordenador da campanha de transgênicos do
Greenpeace.
A autoridade de segurança alimentar européia - EFSA lançou, em
2005, relatório sobre os riscos do glufosinato de amônio ao meio
ambiente e à saúde humana. Dentre as conclusões, há "risco agudo
para crianças", "alto risco para mamíferos" e "alto risco" para a
biodiversidade.
Após escândalo de contaminação genética de campos de arroz nos
Estados Unidos, ocorrido em 2006, muitos países fecharam as portas
para o arroz americano. Os prejuízos calculados chegam a mais de um
bilhão de dólares.
"O arroz transgênico da Bayer e o glufosinato de amônio são
irmãos inseparáveis - quem gostaria de consumir um arroz modificado
geneticamente e tradado com um produto altamente tóxico?",
questionou Jan Van Aken, coordenador da campanha de agricultura
sustentável do Greenpeace.
Atualmente há dois tipos de milho transgênicos desenvolvidos
para resistir ao glufosinato de amônio aprovados no Brasil. Em
2007, a ANVISA recomendou ao Conselho Nacional de Biossegurança,
formado por onze ministros, que mais estudos sobre os efeitos
negativos do glufosinato fossem feitos, antes da liberação do milho
T25 da Bayer. O CNBS não considerou este posicionamento grave o
suficiente para reprovar o milho da Bayer.
Em 2008, o Brasil assumiu a liderança no consumo mundial de
agroquímicos, posição antes ocupada pelos Estados Unidos, segundo
estudo da Kleffmann Group. Das nove variedades agrícolas
transgênicas aprovadas pela CTNBio, seis são resistentes a
agrotóxicos.