Alguns fatos sobre Paul Watson e Greenpeace

Página - 10 - dez - 2008

Paul Watson é fundador da Sociedade de Conservação Sea Shepherd e um dos primeiros membros do Greenpeace. Nos últimos anos, Watson se tornou extremamente crítico ao Greenpeace, pela imprensa e por meio da página de sua organização na internet. A informação abaixo é um esclarecimento sobre a história de Paul Watson no Greenpeace e a natureza de nossas discordâncias.

Paul Watson ingressou no Greenpeace em 1971, como membro da nossa segunda expedição contra testes de armas nucleares em Amchitka, no Alasca (EUA), e continuou participando em ações contra a caça de baleias e a matança de focas. Ele foi um membro de influência no começo da história da organização, mas não um fundador.

Em 1977, ele foi excluído da liderança do Greenpeace por 11 votos a 1 (apenas Watson votou contra a decisão).

Robert Hunter, um dos primeiros líderes do Greenpeace, descreveu esse caso em seu livro, “Crônicas do Greenpeace”:

"Ninguém duvidada da sua (de Watson) coragem um instante sequer. Ele era um grande irmão-guerreiro. Ainda assim, em termos da 'gestalt' do Greenpeace, ele parecia possuído por uma força excessiva, um desejo de estar sempre a frente e no centro, empurrando todos os demais para fora... Ele circulou consistentemente por outros escritórios, atuando no papel de amotinado. Onde quer que ele fosse, criava a discórdia... Todos nós sentíamos que estávamos presos numa teia que ninguém queria ver que estava sendo armada, mas agora que já estava pronta, não havia nada a fazer além de cortá-la pela raiz, mesmo que fosse de um de nossos irmãos."

Greenpeace e Sea Shepherd

Watson fundou seu grupo, Sea Shepherd, em 1977.

- Em 1986, Sea Shepherd fez uma ação contra uma estação baleeira da Islândia em Hvalfjoerdur, e afundou dois navios no porto de Reykjavik, abrindo suas válvulas marítimas (1);

- Em dezembro de 1992, a Sea Shepherd afundou o navio Nybroena (2);

- A Sea Shepherd afirma ter afundado o navio Jiang Hai, no porto de Taiwan e também ter avariado outras quatro embarcações de pesca de arrasto asiáticas (3);

- A corte canadense ordenou que Watson pagasse um total de US$ 35 mil por ter danificado um navio de pesca cubano na costa de Newfoundland, no leste do Canadá, em junho de 1993;

- Em janeiro de 1994, o grupo danificou seriamente o navio baleeiro Senet, no porto norueguês de Gressvik.

Todos os navios citados acima foram reformados e continuaram suas atividades posteriormente.

Em matéria publicada em 2008 na revista “New Yorker”, Watson afirma que a Sea Shepherd afundou 10 navios desde sua fundação, mas a autora da reportagem afirma que foi incapaz de confirmar esse número.

As ações de Paul Watson e de sua organização foram algumas vezes equivocadamente atribuídas ao Greenpeace, muitas vezes numa tentativa de arranhar a reputação do Greenpeace e nosso princípio de não-violência.

O Greenpeace nunca afundou um navio baleeiro.

Alguns anti-ambientalistas tentam usar exemplos de uso da força e sabotagem empregado por uma minoria do movimento ambientalista para rotular o movimento inteiro como 'terrorista'.

Até 1991, tínhamos um acordo com a Sea Shepherd de evitar as críticas públicas entre as organizações. Hoje, boa parte da estratégia de arrecadação de recursos da Sea Shepherd e a estratégia de comunicação pública de Paul Watson são baseadas em ataques ao Greenpeace, nossos métodos, nossos ativistas e nossos colaboradores. Essas críticas normalmente são apimentadas com inverdades. Paul Watson ainda tenta alimentar uma disputa unilateral que, para o Greenpeace, se encerrou em 1977.

Watson é bem-vindo para expressar suas opiniões sobre o Greenpeace - como uma organização ambiental radical, temos uma grande lista de difamadores, mas não nos importamos com as críticas justas. O que esperamos é um debate justo, que seja baseado em fatos, não falsidades.

Na maioria dos casos, nós simplesmente não respondemos às críticas de Paul Watson, pois preferimos que a imprensa escreva sobre o problema da caça às baleias. Não concordamos com os métodos de comunicação do Sea Shepherd, pois entendemos que a discordância dentro do movimento ambientalista distrai as atenções para os assuntos que realmente interessam e nos unem. Apesar de Paul Watson ser um ativista contra a caça, ele acaba apoiando ataques ao Greenpeace - alguns dos quais organizados inclusive por baleeiros (4).

Compromisso com a não-violência

Paul Watson já fez vários pedidos públicos para que o Greenpeace revelasse a localização da frota baleeira ou que cooperasse com o Sea Shepherd no Oceano Antártico quando navios de ambas organizações se encontram por lá.

Nós queremos parar com a caça de baleias, e vamos fazer isso pacificamente. É por esse motivo que não colaboramos com o Sea Shepherd. O Greenpeace está comprometido com a não-violência e nunca, jamais, abrirá mão dessa bandeira. Se ajudarmos o Sea Shepherd a encontrar a frota baleeira, seremos co-responsáveis por qualquer uma de suas ações. A história mostra que o Sea Sheperd já aplicou métodos violentos nas mais perigosas águas do planeta. Para nós, a não-violência é inegociável, um princípio precioso da organização. O Greenpeace continuará agindo para defender as baleias, mas nunca atacará ou colocará em perigo os baleeiros.

Divergimos de Paul Watson sobre o que constitui a violência. Ele afirma que ninguém foi ferido em qualquer ação do Sea Sheperd. Há muitas formas de violência que não resultam em ferimento e isso não muda sua natureza. Acreditamos que jogar ácido butírico em baleeiros, estender cabos para obstruir propulsores e ameaçar afundar navios nas congelantes águas da Antártica constituem atos de violência por conta de suas potenciais consequências Danificar um navio no mar da Antártica, independentemente do quanto se possa criticar suas atividades, não é apenas um ato de desrespeito à vida humana, mas também de risco de um desastre ambiental num dos mais frágeis ambientes do planeta. O fato de as consequências não se concretizarem é irrelevante.

Além de ser moralmente errado, acreditamos que o uso de violência na proteção de baleias é um erro tático. Se existe uma maneira de levar a opinião pública japonesa a apoiar a indústria baleeira é justamente usar violência contra seus navios. É errado porque coloca vidas humanas em risco, e é errado porque faz os baleeiros ficarem mais fortes no Japão.

Nós trabalhamos com muitas outras organizações cujos métodos diferem dos nossos, e estamos conscientes do poder da cooperação entre grupos que têm objetivos comuns e diferentes formas de trabalho. Nós temos tido relações de trabalho produtivas com a WWF, Amigos da Terra, Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal, Sierra Club, Agência Investigativa Ambiental, e grupos que defendem a conservação de baleias. Só colaboraríamos com a Sea Shepherd sob a condição de que isso não colocasse em risco a vida humana.

Por corações e mentes

Acreditamos que a melhor maneira de interromper a caça comercial de baleias feita pelo Japão é trabalhar para que o governo decida por esse caminho. É por isso que o Greenpeace tem investido em falar diretamente com o público japonês – pois a maioria daqueles que conhecem o programa baleeiro japonês se opõe a ele.

O apoio à caça comercial de baleias pelos japoneses tem caído consistentemente na última década. O consumo está em declínio, a sociedade questiona os subsídios dados a essa indústria e os custos políticos alimentam a oposição ao governo japonês. A Sea Shepherd coloca esses avanços domésticos em risco ao pintar o movimento antibaleeiro como perigoso e terrorista.

Quem trabalha no Greenpeace tem, por assim dizer, o couro duro. Ao desafiar as forças econômicas mais poderosas do planeta, é preciso se preparar para ouvir acusações sobre motivações escusas e agendas próprias. Porém, é de mau grado que recebemos ataques de uma organização que compartilha os mesmos objetivos.

Watson afirma que o Greenpeace vai à Antártida apenas para filmar baleias sendo mortas e estender faixas – e nada faz para salvar os animais.

Isso é mentira.

O Greenpeace salvou a vida de inúmeras baleias em mais de três décadas de atuação nesta campanha, colocando nossos botes entre o arpão e o alvo. Muitos de nós arriscaram suas vidas, da Antártida à Islândia.

Em 2006, um arpão foi lançado contra nossos botes infláveis e acertou um deles, deixando sua tripulação nas águas gélidas da Antártida. Naquele ano, de acordo com registros feitos pelos próprios baleeiros, atrapalhamos a caça 26 vezes. Segundo os mesmos registros, eles perderam nove dias graças a nossa interferência. Os baleeiros colidiram com nosso navio duas vezes, acertaram um tripulante com uma vara de metal e usaram canhões com jatos d’água de alta pressão. E deixaram de matar 82 baleias, que estavam na cota prevista.

Aceitamos colocar nossas vidas em risco pelas baleias. E de mais ninguém.

Em 2008, os caçadores nos perseguiram por 14 dias – duas semanas que não foram usadas para caça. Com isso, deixaram de matar mais de 100 baleias, que estavam em sua cota.

Diferentes métodos

O Greenpeace trabalha para salvar as baleias em todo o mundo, o ano todo, usando diferentes táticas.

Com o WWF, estivemos na liderança da pressão pública que levou ao estabelecimento de uma moratória de caça comercial em 1982. Esse trabalho salvou a vida de dezenas de milhares de baleias em todo o mundo e ajudou a sedimentar o fim de programas de caça em diversos países, como a ex-União Sociética, o Peru, o Chile, a Espanha e o Brasil.

Temos trabalho para manter a moratória desde então e para expor os esquemas de compra de votos que o Japão faz entre membros da Comissão Baleeira Internacional (CIB), que regula o tema. Estimulamos países conservacionistas a participarem da CIB e pressionamos outros, como a Dinamarca, a mudarem suas políticas em prol da vida das baleias. Dessa maneira, nossos milhões de colaboradores e ativistas em todo o mundo nos ajudam silenciosamente a acabar com a caça comercial de baleias de uma vez por todas.

O trabalho no Japão

O Greenpeace abriu um escritório no Japão em 1989. Após um longo e consistente trabalho de anos, a caça é debatida domesticamente, o que não acontecia antes. Convidamos celebridades, músicos e artistas japoneses a se posicionarem publicamente contra a matança, mostrando como o dinheiro do contribuinte é usado pelo governo para essa indústria. Ao expor a corrupção e o desperdício que permeia o programa baleeiro japonês, geramos críticas contra a atividade em alguns dos maiores jornais do Japão e artigos questionando a validade de sua manutenção.

Em 2008, o Greenpeace expôs informações e testemunhos de informantes com detalhes de esquemas corruptos que tomam o programa baleeiro japonês. Os ativistas Junichi Sato e Toru Suzuki interceptaram uma caixa com carne de baleia, avaliada em US$ 3 mil, enviada para a casa de um dos baleeiros, e a entregou para a procuradoria pública japonesa.

Pela interceptação da caixa, os dois ativistas foram presos, julgados e condenados – apesar de a opinião pública mundial e a Organização das Nações Unidas se opuserem e denunciarem uso do caso para fins políticos.

[1] “The New York Times”, 10 de novembro de 1986: Militants sink two of Iceland's Whaling Vessels

[2] Agência Reuters, 3 de junho de 1994: Norway Sentences Anti-Whaling Activists

[3] Sea Shepherd Conservation Society fact sheet, Econet, 1994

[4] Em "The Man in the Rainbow", Watson aparece ao lado de representantes do movimento antiambientalista Wise Use para condenar o Greenpeace. O filme foi considerado difamatório por uma corte alemã.

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