Alimentos vendidos no Brasil estão contaminados com transgênicos

Notícia - 19 - jun - 2000
Testes feitos em laboratórios europeus a pedido do Greenpeace e Idec encontraram 11 produtos contaminados

Análises encomendadas pelo Greenpeace e Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) em laboratórios europeus detectaram a presença de transgênicos em 11 lotes de produtos vendidos no Brasil. Entre os artigos estão o leite em pó Nestogeno, a sopa Knorr e as salsichas Swift, que estão contaminados com a soja geneticamente modificada Roudup Ready, da Monsanto, além das batatas fritas Pringles, que estão contaminadas com milho transgênico Bt, da Novartis.

A comercialização no Brasil de alimentos com insumos geneticamente modificados é ilegal, já que não atende às exigências previstas na Lei de Biossegurança (lei número 8974 de 1995), e viola o Código de Defesa do Consumidor, que garante a clara informação da composição do produto no rótulo da embalagem. O Greenpeace vem denunciando e tem conseguido embargar a importação de matéria-prima transgênica como milho, soja, farinhas e proteínas. Entretanto, esta é a primeira vez que produtos ilegais para venda direta ao consumidor foram encontrado nas prateleiras de supermercados do país.

Entre as possíveis conseqüências à saude humana e ao meio ambiente do uso de transgênicos compilados por cientistas estão o empobrecimento da biodiversidade, a eliminação de insetos benéficos ao equilíbrio ecológico, o aumento da contaminação dos solos e corpos d`água devido à intensificação do uso de agrotóxicos e desenvolvimento de plantas e animais resistentes a uma ampla gama de antibióticos e agrotóxicos.

"Os fabricantes, importadores e distribuidores de alimentos devem imediatamente retirar das prateleiras estes produtos que oferecem riscos e são comprovadamente ilegais. Os supermercados, por sua vez, devem passar a exigir dos fabricantes e distribuidores comprovação da não contaminação por transgênicos antes de colocar quaisquer produtos a venda", diz Mariana Paoli, Coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. "Falta também ao Governo Federal assumir a tarefa de fiscalizar a entrada e comercialização ilegal de alimentos transgênicos. É fundamental que a lei que garante a saúde da população e do ambiente seja cumprida".

O Greenpeace lançou uma campanha de ativismo virtual através de seu site direcionada às empresas e às redes de supermercados na qual os consumidores internautas podem exigir dos fabricantes e redes de supermercados para retirarem do mercado os produtos contaminados com transgênicos.

Esta é a relação dos produtos contaminados:

- Nestogeno, da Nestle do Brasil, fórmula infantil a base de leite e soja para lactentes contaminado com 0,1% de soja RR;

- Pringles Original, da Procter & Gamble, batata frita contaminada com milho Bt 176 da Novartis;

- Salsicha Swift, da Swift Armour, salsichas do tipo Viena contaminadas com 3,9% de soja RR;

- Sopa Knorr, da Refinações de Milho Brasil, mistura para sopa sabor creme de milho verde contaminada com 4,7% de soja RR;

- Cup Noodles, da Nissin Ajinomoto, macarrão instantâneo sabor galinha contaminado com 4,5% de soja RR;

- Cereal Shake Diet, da Olvebra Industrial, alimento para dietas contaminado com 1,5% de soja RR;

- Bac`Os da Gourmand Alimentos (2 lotes diferentes), chips sabor bacon contaminados com 8,7% de soja RR;

- ProSobee, da Bristol-Myers, fórmula não láctea a base de proteína de soja contaminada com 1,9% de soja RR;

- Soy Milk, da Ovebra Industrial, alimento a base de soja contaminado com menos de 0,1% de soja RR;

- Supra Soy, da Jospar, alimento a base de soro de leite e proteina isolada de soja contaminado com 0,7% de soja RR.

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