Ambientalistas e donos de restaurantes discutem impactos ambientais da criação de camarão

Notícia - 8 - fev - 2009
Evento realizado a bordo do Arctic Sunrise também apresentou dados sobre os problemas sociais relacionados à carcinicultura no Ceará. Navio do Greenpeace e a expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora segue nesta terça-feira para Recife (PE).

Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, abre evento sobre os impactos ambientais causados pela criação de camarão (carcinicultura) no Ceará. Estiveram presentes ONGs ambientalistas do estado, especialistas da Universidade Federal do Ceará e donos de restaurantes de Fortaleza.

O consumo de camarão numa cidade como Fortaleza é típico de umacidade praiana, de muito sol. As porções e pratos feitos com ocrustáceos estão em praticamente todos os restaurantes e bares dacapital cearense, para deleite dos milhares de turistas que visitam acidade todos os anos. Mas o que esses turistas não sabem - e muitos dosdonos de restaurantes também não - é que o camarão servido, quase todoproduzido em fazendas de criação, tem grande impacto ambiental naregião, causando inúmeros problemas aos manguezais e às comunidadespesqueiras. A carcinicultura (nome técnico da criação de camarão) éhoje um dos grandes problemas ambientais do Ceará.

O Greenpeaceem parceria com organizações cearenses como o Fórum em Defesa da ZonaCosteira do Ceará (FDZCC), Instituto Terramar e Aquasis, promoveu nestasegunda-feira um evento a bordo do navio Arctic Sunrise para revelar osproblemas ambientais causados pelo cultivo de camarão em Fortaleza. O evento foi o último da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora em Fortaleza. O navio Arctic Sunrise agora segue para Recife. Confira as datas aqui.

Centenas de donos de restaurantes e supermercados foram convidados parao evento, para discutir o assunto e pensar nas soluções viáveis pararecuperar os estoques de camarão do mar e evitar que a atividade dacarcinicultura continue destruindo os manguezais cearenses e também aatividade de comunidades pesqueiras. Apenas vinte deles confirmarampresença e apenas quatro compareceram ao evento, que começou às 9 horasda manhã com apresentação de um grupo musical de crianças, com cançõesambientais, visitação ao Arctic Sunrise e, por fim, exposição deespecialistas sobre os problemas da carcinicultura.

Veja as fotos:

Leia aqui as 13 razões para não à carcinicultura.

"Éuma pena que os empresários de Fortaleza não tenham se sensibilizadopara vir aqui discutir esse tema tão delicado e importante para o meioambiente. A carcinicultura está causando danos irreversíveis em áreasde manguezais do Ceará, baseada em falsas premissas", afirma LeandraGonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace Brasil.

"Asfazendas de camarão estão invadindo Áreas de Preservação do Ceará ecausando grandes estragos. Outro problema causado pela criação decamarão no Estado é o desmatamento dos manguezais - cerca de 25% dosempreendimentos existentes no Ceará estão localizados em áreas demangue e mais de 50% não têm licença ambiental para operar", diz.

Oempresário Eduardo Sisi, proprietário do restaurante Moana, na avenidaBeira Mar de Fortaleza,  compareceu ao evento e admitiu saber quasenada sobre o assunto.

"Vim para aprender e descobrir como acarcinicultura afeta nosso meio ambiente. Não conheço os impactos e porisso estou aqui. Me preocupo com o meio ambiente. Não teria problemaalgum em deixar de comprar camarão produzido em fazendas de criação.Temos que cuidar do que temos hoje para termos sempre, amanhã edepois", afirmou.

Para Dioneide Costa, coordenadora do Procon deFortaleza, o evento promovido pelo Greenpeace é importante paraconscientizar os donos de restaurantes e supermercados de que a atualprodução da carcinicultura não é sustentável.

"Espero que adiscussão se fortaleça aqui no Ceará para evitarmos a destruição totalde nossos manguezais. Hoje, cerca de 30% deles já foram devastados."

Veja nossa coleção de fotos de Fortaleza no Flickr.

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