Americana, em SP, se compromete com a conservação da Amazônia

Notícia - 2 - nov - 2005
Município formaliza adesão ao programa Cidade Amiga da Amazônia, do Greenpeace, com apoio de grupos ambientalistas locais

O município de Americana, no interior de São Paulo, tornou-se hoje o 17o município a aderir ao programa Cidade Amiga da Amazônia, do Greenpeace, cujo objetivo é a adoção de leis locais pelas prefeituras para evitar o consumo de madeira amazônica de origem ilegal nas licitações públicas. O termo "Compromisso pelo Futuro da Floresta" foi assinado pelo prefeito Erich Hetzl Júnior (PDT), pela representante do Greenpeace Adriana Imparato, e por representantes do Grupo de Defesa Ecológica da Bacia do Rio Piracicaba (Grude) e dos Jovens Verdes (PV-Americana) durante solenidade no gabinete da Prefeitura.

"Americana é mais uma cidade que adota medidas concretas para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia", comemora Adriana Imparato, representante do programa Cidade Amiga da Amazônia, do Greenpeace. "Ao aderirem ao programa do Greenpeace, as prefeituras contribuem de maneira concreta para reduzir a destruição criminosa da floresta. O Cidade Amiga da Amazônia expõe as falhas do atual sistema de monitoramento e controle da madeira pelo Ibama e órgãos públicos, mostrando que a fiscalização na esfera municipal é uma contribuição importante para controlar o destino da madeira".

Em seu discurso, o prefeito Erich Hetzl Júnior mostrou que quer fazer de Americana um exemplo para outras cidades da região. "Americana se compromete a sair na frente das outras prefeituras. Para isso, vamos publicar, até janeiro, o primeiro edital de compra sustentável de madeira", afirmou ele.

Outros 16 municípios já participam do programa do Greenpeace, incluindo São Paulo e Manaus, no Amazonas. Outra cidade da região que já participa do Cidade Amiga da Amazônia é Campinas, que assinou termo de compromisso ainda em 2004 mas, até hoje, não implementou uma legislação para evitar o consumo de madeira ilegal pela prefeitura.

A indústria madeireira é uma das principais forças de destruição da Amazônia. Cerca de 70% da madeira produzida na região é consumida pelo mercado brasileiro e as prefeituras consomem grandes volumes em obras públicas e mobiliário. O índice anual de desmatamento no período agosto 2003 a agosto 2004 atingiu 26.130 quilômetros quadrados, o equivalente a seis campos de futebol desmatados por minuto.

Para tornar-se uma "Cidade Amiga da Amazônia", as administrações devem formular leis municipais que exijam quatro critérios básicos em qualquer compra ou contratação de serviço que utilize madeira produzida na Amazônia: proibir o consumo de mogno, uma espécie ameaçada; exigir, como parte dos processos de licitação, provas da origem legal e em Planos de Manejo Florestal da madeira; dar preferência à madeira certificada pelo FSC, um sistema que garante a origem sustentável do produto florestal; e orientar construtores e empreiteiros a substituir madeiras descartáveis utilizadas em tapumes, fôrmas de concreto e andaimes por alternativas reutilizáveis como ferro ou chapas de madeira resinada.

Para os grupos ambientalistas locais, o programa é uma fonte de esperança e já anunciam planos para garantir um futuro sustentável para a maior floresta tropical do planeta. "Pretendemos estender este projeto a outros municípios", disseram Geraldo Baptista e Robert Nicolete, representantes do Grude e dos Jovens Verdes, respectivamente.

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