Após 20 anos, 199 vítimas do césio 137 recebem pensão vitalícia em GO

Notícia - 27 - abr - 2008
Decreto estadual contempla apenas funcionários públicos. Pelo menos 65 pessoas morreram por causa do acidente em 1987.

Ato promovido pelo Greenpeace em memória das vítimas do acidente radioativo com o césio-137, no centro de Salvador, reuniu cerca de 40 manifestantes.

Após mais de 20 anos do acidente radioativo ocorrido em Goiânia com uma cápsula de césio 137, o governo de Goiás reconheceu na semana passada mais 199 vítimas da tragédia, que terão direito a uma pensão vitalícia de R$ 482. O decreto assinado pelo governador Alcides Rodrigues garante o direito a policiais militares, bombeiros e agentes de saúde que trabalharam na limpeza, descontaminação, segurança e socorro a outras vítimas do acidente. Agora já são 397 pessoas que recebem pensão do estado por terem se contaminado à época - todas elas são funcionários públicos. Outros 800 cidadãos comuns ainda reivindicam a indenização.

"O cidadão comum também precisa ser ressarcido por tudo que perdeu na época - parentes, bens, empregos. Além disso, a indenização está abaixo do previsto quando o processo começou, que era de dois salários-minimos", critica Odesson Alves Ferreira, presidente da Associação das Vítimas do Césio. O salário-mínimo no Brasil hoje é de R$ 415.

"Mas não deixa de ser um ganho, afinal essas pessoas estava mesmo precisando de alguma ajuda financeira. Mas não podemos parar por aqui, porque além de reaver o valor original das pensões, temos que conseguir pensões também para os civis, os cidadãos comuns que foram contaminados e foram relegados nessa decisão", diz Odesson.

Pelo menos 65 pessoas morreram em decorrência direta do acidente ou por doenças relacionadas à contaminação pelo césio 137. Quem foi submetido à radiação enfrentou problemas graves, como câncer. O acidente foi o pior caso de contaminação por radioatividade acontecido no Brasil.

Confira nossa página especial sobre o acidente, com informações, fotos, relatos e muito mais.

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