Notícia - 12 - fev - 2008
Relatório divulgado pela ONG americana patrocinada pela indústria de biotecnologia mais uma vez distorce números para pintar um cenário cor-de-rosa do cultivo de organismos geneticamente modificados.
Com o mercado cada vez mais fechado na Europa, a indústria de biotecnologia tenta empurrar seu arroz transgênico para países em desenvolvimento como a Índia, grande exportador do produto que pode sofrer grandes prejuízos como o ocorrido nos EUA em 2006.
Falta credibilidade e sobra retórica no relatório do Serviço
Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia
(ISAAA, na sigla em inglês) divulgado esta semana sobre a
popularidade da engenharia genética no mundo.
"O relatório do ISAAA é uma peça de propaganda e não tem a
mínima credibilidade. A realidade hoje é que mais de 92% dos 1,5
bilhões de hectares de terras disponíveis para a agricultura no
mundo são usados para cultivos de plantas convencionais e 99% dos
agricultores de todo o mundo não plantam transgênicos", afirma Jan
van Aken, da campanha de Agricultura do Greenpeace
Internacional.
"Arroz e trigo, dois dos cultivos mais importantes do mundo da
alimentação básica do ser humano, ainda estão livres dos
transgênicos. E os países estão optando cada vez mais pela
proibição das plantações geneticamente modificadas, como no caso da
França, que anunciou recentemente o banimento o cultivo comercial
de milho transgênico do país", afirma van Aken.
"Todos os anos, o relatório da ISAAA afirma que os transgênicos
estão mais populares, apesar da evidência clara que o contrário
está acontecendo. Da mesma forma que os textos anteriores, o atual
relatório está recheado de falsas afirmações e estatísticas
manipuladas", acrescenta van Aken.
O ISAAA, por exemplo, afirma que metade da população mundial se
beneficia de plantações transgênicas. No entanto, esse número
inclui as populações inteiras da Índia, China e de todos os países
em que são plantados transgênicos, apesar desses cultivos
representarem apenas uma pequena parte da área agricultável desses
países.
Na China, as culturas transgênicas representam apenas 2,9% da
agricultura. Na Europa, o total é ainda menor: 0,119%.
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