Não é de hoje que o Greenpeace denuncia problemas no continente africano, como a pesca predatória que abastece mercados europeus. Em 2006, ativistas testemunharam a detenção de uma embarcação chinesa que pescava ilegalmente na costa oeste da África.
O Greenpeace está aumentando sua presença global. Na semana
passada, a organização ambientalista abriu o seu primeiro
escritório na África, localizado em Johannesburgo, na África do
Sul. Mais duas bases serão abertas em breve - uma em Kinshasa, na
República Democrática do Congo, e outra em Dacar, no Senegal. Ao
estabelecer sua presença permanente no continente, o Greenpeace
pretende enfrentar os problemas ambientais mais urgentes da região,
concentrando seu trabalho no combate às mudanças climáticas, ao
desmatamento e à sobrepesca.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por cerca
de 20% das emissões globais de gases de efeito estufa. Apesar de
sua vasta cobertura florestal, a África contribui muito pouco para
o aquecimento global, mas será um dos locais mais atingidos pelos
impactos das mudanças climáticas. Estima-se que mais de 180 milhões
de pessoas que vivem na região subsaariana podem morrer como
conseqüência do aquecimento global até o final deste século.
Padrões de chuva imprevisíveis, redução das áreas agrícolas e dos
recursos naturais já estão causando migração em massa, com aumento
de tensão e conflito em várias regiões.
"Enfrentar os problemas socioambientais na África é vital para
garantir um futuro mais justo para suas crianças e para o mundo
como um todo. A pobreza e a destruição ambiental estão intimamente
relacionadas. Enquanto a proteção dos recursos naturais e da
biodiversidade africana não estiver garantida, a população local
continuará em guerra e o desenvolvimento continuará insustentável",
disse Amadou Kanoute, diretor-executivo do Greenpeace África. "Ao
garantir a proteção do meio ambiente, a África diz não a um
processo de desenvolvimento sujo e injusto ao mesmo tempo em que
aumenta o papel do continente na busca de soluções globais para um
futuro mais verde e pacífico".
A inauguração do Greenpeace África acontece quase dez anos
depois do estabelecimento da base permanente da organização em
Manaus, no coração da Amazônia. Assim como na África, o modelo de
desenvolvimento que vem se repetindo na Amazônia historicamente tem
gerado apenas devastação e injustiça social, com concentração de
terra nas mãos de poucos, destruição de habitat, de culturas
indígenas, grilagem de terras, violência e abuso aos direitos
humanos.
O Greenpeace entende que os problemas ambientais enfrentados
pela África são críticos e reais. A luta global pela proteção da
natureza está incompleto se não trabalharmos na busca de soluções
para e na África.
Mudanças climáticas: A África do Sul é o 14o maior
emissor de gás carbônico do mundo e precisa se comprometer com
ações mensuráveis para reduzir suas emissões de gases de efeito
estufa, incluindo o fim de sua dependência ao carvão, sem recorrer
à energia nuclear. O país, assim como todo o continente, deveria
aproveitar seus abundantes recursos naturais para a produção de
energia a partir de fontes renováveis, como a solar, eólica e
biomassa. Essa iniciativa não apenas ajudaria a combater o
aquecimento global, como é uma alternativa real de levar
eletricidade às áreas rurais, gerando empregos e crescimento
econômico.
Florestas tropicais: A exploração industrial de madeira
ameaça a bacia do Congo e as 40 milhões de pessoas que dependem da
floresta para sobreviver. As florestas da região estocam grandes
quantidades de carbono, desempenhando papel fundamental na
regulação do clima global. Se a extração de madeira continuar no
mesmo ritmo que o atual, a República Democrática do Congo corre o
risco de perder 40% de toda a cobertura florestal remanescente nos
próximos 40 anos. O Greenpeace defende a adoção de um mecanismo
internacional de financiamento voltado para a proteção das
florestas e do clima global.
Defendendo os oceanos: A biodiversidade marinha na costa
oeste da África está sendo destruída pela pesca de arrasto feita
por barcos estrangeiros. Esta atividade tem impactos diretos nas
comunidades locais, pois impede que elas tenham uma alimentação
adequada, gerando pobreza e insegurança alimentar. O Greenpeace
trabalha para garantir que a pesca seja realizada de forma
responsável, administrada e financiada por africanos. A criação e
implementação de uma rede de reservas marinhas protegidas pode ser
parte da solução.