Considerando que a expectativa
inicial para a expedição do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace,
por algumas capitais e cidades brasileiras era de 10 mil
visitantes, pode-se afirmar que a experiência foi muito
bem-sucedida. Nos últimos dois meses, cerca de 25 mil pessoas
visitaram a exposição de 72 fotos sobre a Amazônia e as instalações
do famoso barco quebra-gelo da organização. Para promover propostas
de proteção à floresta, o Arctic Sunrise iniciou sua expedição no
dia 30 de março, sendo aberto à visitação pública em Porto Alegre
(RS), Santos (SP), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE),
Belém (PA) e Manaus (AM). O navio do Greenpeace também esteve em
Santarém, mas não foi aberto ao público.
Dentre as propostas para proteção da Amazônia divulgadas durante
a expedição, a principal foi o programa Cidade Amiga da Amazônia,
que incentiva as prefeituras brasileiras a adotarem leis que evitem
o consumo de madeira nativa de origem criminosa nas compras e
licitações públicas. Durante a expedição, as prefeituras de Porto
Alegre, Salvador, Recife, Olinda e Fortaleza assinaram o termo de
compromisso com o programa. No total, 33 cidades já aderiram ao
Cidade Amiga da Amazônia. Outras propostas do Greenpeace para a
preservação da região são a implementação de uma rede de áreas
protegidas e de uso sustentável e o consumo responsável de produtos
florestais.
De Belém a Manaus, passando por Santarém, a expedição se
concentrou mais em denunciar como a expansão da fronteira da soja
na Amazônia está impulsionando o desmatamento, grilagem de terras e
violência contra comunidades locais na região. No mês passado, o
Greenpeace lançou o relatório "Comendo a Amazônia" (1), resultado
de uma investigação sigilosa realizada durante um ano nas regiões
de produção e consumo de soja, baseada em análise de imagens de
satélites, sobrevôos, dados do governo e pesquisas em campo. O
documento revela o papel de três multinacionais norte-americanas de
commodities agrícolas - ADM (Archier Daniels Midland), Bunge e
Cargill - na invasão da Amazônia, impulsionando o desmatamento
ilegal - muitas vezes, feito com trabalho escravo, a grilagem de
terras públicas e a violência contra comunidades locais.
Sojeiros, simpatizantes da monocultura da soja na região de
Santarém e funcionários da Cargill reagiram de modo bastante
violento à ação direta do Greenpeace nos terminais do porto da
multinacional norte-americana, quando 16 ativistas foram presos.
Por outro lado, dois dias depois desta ação, mais de 30
organizações e movimentos sociais locais - cerca de mil pessoas -
manifestaram seu apoio ao Greenpeace na Marcha Pela Floresta em Pé,
em defesa da produção familiar e contra a monocultura de soja.
Depois de ter encerrado sua expedição brasileira na cidade de
Manaus, o Arctic Sunrise parte na próxima quinta-feira, dia 1º de
junho, para Saint Kitt's, em Nevis, no Caribe, para se fazer
presente na 58ª reunião anual da Comissão Baleeira Internacional
(International Whaling Comission, IWC), em mais uma expedição pela
campanha de Oceanos do Greenpeace.