Arctic Sunrise conclui, em Manaus, sua bem-sucedida expedição em defesa da Amazônia

Notícia - 29 - mai - 2006

Considerando que a expectativa inicial para a expedição do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, por algumas capitais e cidades brasileiras era de 10 mil visitantes, pode-se afirmar que a experiência foi muito bem-sucedida. Nos últimos dois meses, cerca de 25 mil pessoas visitaram a exposição de 72 fotos sobre a Amazônia e as instalações do famoso barco quebra-gelo da organização. Para promover propostas de proteção à floresta, o Arctic Sunrise iniciou sua expedição no dia 30 de março, sendo aberto à visitação pública em Porto Alegre (RS), Santos (SP), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Belém (PA) e Manaus (AM). O navio do Greenpeace também esteve em Santarém, mas não foi aberto ao público.

Dentre as propostas para proteção da Amazônia divulgadas durante a expedição, a principal foi o programa Cidade Amiga da Amazônia, que incentiva as prefeituras brasileiras a adotarem leis que evitem o consumo de madeira nativa de origem criminosa nas compras e licitações públicas. Durante a expedição, as prefeituras de Porto Alegre, Salvador, Recife, Olinda e Fortaleza assinaram o termo de compromisso com o programa. No total, 33 cidades já aderiram ao Cidade Amiga da Amazônia. Outras propostas do Greenpeace para a preservação da região são a implementação de uma rede de áreas protegidas e de uso sustentável e o consumo responsável de produtos florestais.

De Belém a Manaus, passando por Santarém, a expedição se concentrou mais em denunciar como a expansão da fronteira da soja na Amazônia está impulsionando o desmatamento, grilagem de terras e violência contra comunidades locais na região. No mês passado, o Greenpeace lançou o relatório "Comendo a Amazônia" (1), resultado de uma investigação sigilosa realizada durante um ano nas regiões de produção e consumo de soja, baseada em análise de imagens de satélites, sobrevôos, dados do governo e pesquisas em campo. O documento revela o papel de três multinacionais norte-americanas de commodities agrícolas - ADM (Archier Daniels Midland), Bunge e Cargill - na invasão da Amazônia, impulsionando o desmatamento ilegal - muitas vezes, feito com trabalho escravo, a grilagem de terras públicas e a violência contra comunidades locais.

Sojeiros, simpatizantes da monocultura da soja na região de Santarém e funcionários da Cargill reagiram de modo bastante violento à ação direta do Greenpeace nos terminais do porto da multinacional norte-americana, quando 16 ativistas foram presos. Por outro lado, dois dias depois desta ação, mais de 30 organizações e movimentos sociais locais - cerca de mil pessoas - manifestaram seu apoio ao Greenpeace na Marcha Pela Floresta em Pé, em defesa da produção familiar e contra a monocultura de soja.

Depois de ter encerrado sua expedição brasileira na cidade de Manaus, o Arctic Sunrise parte na próxima quinta-feira, dia 1º de junho, para Saint Kitt's, em Nevis, no Caribe, para se fazer presente na 58ª reunião anual da Comissão Baleeira Internacional (International Whaling Comission, IWC), em mais uma expedição pela campanha de Oceanos do Greenpeace.

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