Ao se recusarem a servir arroz transgênicos a seus clientes, as principais cadeias de restaurantes de Manila, nas Filipinas, demonstram respeito ao consumidor e ao meio ambiente.
Os consumidores podem se preparar. A Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio) está prestes a modificar um dos alimentos
mais importantes na dieta do brasileiro: o arroz. Diferente da soja
e do milho transgênicos, que também são destinados à alimentação
animal, o arroz é quase todo destinado a alimentação humana, e pela
primeira vez os transgênicos podem estar no prato diário do
brasileiro.
Para discutir a aprovação do arroz LL62, da Bayer, será
realizada no próximo dia 18 de março, em Brasília, uma audiência
pública. A decisão foi divulgada nesta quinta-feira (12/2), na
primeira reunião do ano da CTNBio, que continua vendada frente aos
riscos que a população brasileira estará sujeita com essa
liberação.
O regimento interno da CTNBio permite, durante a audiência
pública, a exposição de argumentos de cientistas e da sociedade
civil, mas a escolha desses expositores é feita exclusivamente pela
própria Comissão. Não há critérios formalmente definidos para a
seleção de quem pode falar durante a audiência e os cientistas da
CTNBio podem se isentar de responder às perguntas da sociedade
civil.
O Greenpeace apresentou um pedido de participação como expositor
e aguarda retorno da Comissão. "Existem vários estudos e fatos que
mostram as desvantagens do arroz da Bayer em termos ambientais,
econômicas e de saúde, e é isso que queremos apresentar no dia 18.
A maior parte da soja e milho produzidos no país são destinados a
alimentação animal. Com o arroz, a situação é mais grave e o risco
aumenta, pois é consumido diretamente pelas pessoas", explica o
coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace, Rafael
Cruz.
Além do agendamento da audiência pública, a primeira reunião da
CTNBio no ano foi marcada por um intenso debate sobre a necessidade
de se "simplificar" o processo de aprovação de campos experimentais
de cultivos transgênicos no país, proposta por Luiz Antônio Barreto
de Castro, representante do Ministério de Ciência e Tecnologia na
CTNBio. Uma nova votação sobre essa Resolução Normativa chegou a
ser sugerida, para determinar essas novas regras - mesma votação
realizada em novembro passado.
"Não faz o menor sentido estabelecer um novo conjunto de regras,
após menos de quatro meses da última publicação. Ainda mais um
conjunto que pretende aprovar irresponsavelmente campos
experimentais", argumenta Rafael.
O arroz transgênico LL62 da Bayer foi modificado geneticamente
para resistir a um agrotóxico, com a introdução de uma sequência
genética de bactéria - a mesma implantada no milho Liberty Link,
também da Bayer. A propriedade adquirida pelo arroz é a resistência
ao agrotóxico glufosinato de amônio.
Estudos independentes sobre os impactos do glufosinato na saúde
humana e animal indicam que, quando testado em ratos, sua ingestão
foi responsável por alterações no sistema nervoso, tremores,
convulsões, reações alérgicas, além da permanência residual da
substância no fígado, rins e no leite.