Ativistas do Greenpeace levam árvore amazônica de 12 metros para a sede da Comissão Européia, em Bruxelas (Bélgica) para expôr o papel da Europa no desmatamento de florestas tropicais e exigir leis que proíbam o comércio de madeira e produtos florestais ilegais no continente. A árvore faz parte de uma instalação do artista plástico Siron Franco.
O Greenpeace expôs nesta quarta-feira em frente à sede da
Comissão Européia, em Bruxelas, uma árvore centenária da espécie
tauari que recebeu, em seu interior, nove monitores de vídeos com
projeções de imagens de beleza e destruição da floresta amazônica.
A instalação multimídia, realizada pelo artista brasileiro Siron
Franco, destaca o papel da Europa na destruição das florestas e a
necessidade urgente de se adotar uma nova lei para combater a
exploração e o comércio de madeira ilegal.
O tronco, de 12 metros, foi retirado pelo Greenpeace em outubro de
2007 de uma área ilegalmente desmatada no sul do Amazonas
para compor uma exposição itinerante destacando o papel da floresta
na manutenção da biodiversidade e do equilíbrio climático do
planeta. Ainda neste mês, a Comissão Européia votará se adota ou
não uma nova legislação contra madeira ilegal.
Saiba aqui como ser um consumidor responsável de
madeira.
Conheça os padrões e critérios de manejo florestal
do FSC.
A União Européia importa, todos os anos, milhões de toneladas de
madeira da Amazônia, do Sudeste Asiático e do Congo, regiões
conhecidas pelo descontrole na produção de madeira que, em última
instância, resulta em altas taxas de desmatamento. A perda de
cobertura florestal, por sua vez, leva à dramática perda de
espécies e conflitos sociais, além de contribuir com um quinto das
emissões globais de gases de efeito estufa.
"A Europa é um dos maiores consumidores de madeira do mundo. Se
permitimos a entrada de madeira ilegal no nosso mercado, então
estamos contribuindo com forças que provocam a destruição da
floresta", disse o comissário europeu para o Meio Ambiente, Stavros
Dimas, durante visita à instalação.
"Por conta disso, vou apresentarem breve uma proposta para banir
a venda de madeira e outros produtos madeireiros provenientes de
fontes ilegais", revelou.
Rubens Gomes, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e
presidente do Conselho Diretor do FSC (Forest Stewardship Council
ou Conselho de Manejo Florestal), que participou da atividade do
Greenpeace em Bruxelas, ressaltou a importância da Europa em
assumir sua responsabilidade para proteger as florestas e promover
o uso responsável dos recursos.
"Além de deixar um rastro de destruição ambiental e alimentar
conflitos sociais, madeira ilegal e predatória representa uma
competição desleal com produtos madeireiros produzidos de forma
responsável. É preciso criar mecanismos de controle de mercado para
permitir que empresas madeireiras que respeitam padrões ambientais
e sociais também possam se beneficiar dos investimentos que fazem",
disse ele.
Em menos de três semanas, o presidente da Comunidade Européia
recebeu mais de 66 mil abaixo-assinados de apoio à nova legislação,
enviadas por cidadãos preocupados em assegurar que os produtos que
consomem não resultem em destruição florestal.
"A União Européia deve adotar uma legislação rigorosa para banir
o comércio de madeira ilegal se quiser proteger os remanescentes
florestais, a biodiversidade e o clima global", diz Marcelo
Marquesini, coordenador do programa de madeira do Greenpeace na
Amazônia.
"Até os Estados Unidos, um dos maiores poluidores do mundo, já
tomaram a iniciativa de aprimorar sua
legislação visando combater a importação de madeira ilegal.
A União Européia tem a chance de dar um passo além, adotando normas
muito mais rígidas, cobrando das empresas madeireiras o respeito a
severos padrões ambientais e sociais na produção e comércio de
madeira, além de implementar um sistema de rastreamento que garanta
a origem da madeira", afirma.
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