A missionária Dorothy Stang tinha 74 anos quando foi assassinada em fevereiro de 2005, na região de Anapu, no Pará.
O segundo dia de participação do Greenpeace no Fórum Social Mundial
(FSM) foi intenso nesta quarta-feira (28/1), em Belém (PA),
com exibição de um documentário e debate sobre o assassinato da
missionária Dorothy Stang, e painel de discussão sobre desmatamento
na Amazônia e sua relação com as mudanças climáticas. Os dois
eventos expõem como a falta de governança na Amazônia permite que
crimes ambientais e contra as populações locais se perpetuem na
região.
O documentário "Eles Mataram Irmã Dorothy", do diretor Daniel
Junge, atraiu muita gente para o auditório W. Bouhid do cinema da
UFRA. A missionária foi assassinada há quatro anos em Anapu (PA)
por um pistoleiro a mando de um fazendeiro da região. O diretor da
campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, Paulo Adario, participou
de um debate após a exibição do filme, juntamente com Daniel Junge
(diretor do documentário), irmã Jane (do Comitê Dorothy), padre
Amaro (da Comissão Pastoral da Terra - CPT de Anapu), Felício
Pontes (Ministério Público Federal no Pará) e moradores de
Anapu.
"Os advogados de defesa dos acusados do crime, que tanto chocam
as pessoas que vêem o filme, são apenas atores fazendo o seu
trabalho. Mas se este filme não alavancar o debate sobre o sistema
judicial e a certeza de impunidade que permeia a nossa sociedade
atual, eu terei prestado um desserviço à sociedade", disse Daniel
Junge, o diretor do filme.
"Este filme vai trazer as mudanças que tanto necessitamos para
criar este outro mundo desejado pelos participantes do Fórum Social
Mundial", disse David Stang, irmão da missionária.
Ainda no campus da UFRA, Adario participou também do painel
Desmatamento Zero: a contribuição do Brasil no combate às mudanças
climáticas. O evento contou ainda com a presença de Paulo Barreto,
do Imazon, e de Roman Czebiniak, coordenador do programa Florestas
pelo Clima do Greenpeace Internacional.
O painel mostrou aos presentes a importância de se zerar o desmatamento das florestas
tropicais no mundo, melhorar a fiscalização e monitoramento, e
criação de um fundo internacional para financiar atividades
sustentáveis nessas regiões, para dar emprego e renda às
comunidades locais.
"Se nada for feito agora em relação ao desmatamento de nossas
florestas e às mudanças climáticas, vamos repetir o mesmo erro
cometido pelo mundo financeiro e ter que correr atrás do prejuízo,
que será bem maior do que estamos vendo agora com a crise ecônomica
mundial", afirmou Paulo Adario.
"Temos que construir uma economia livre de carbono e que
mantenha a floresta em pé, para que possamos ter estabilidade
econômica, de emprego e proteção ambiental."
Para Roman Czebiniak, as novas evidências científicas mostram
que a proteção das florestas é mais importante agora do que
nunca.
"As mudanças climáticas estão num ritmo mais acelerado do que o
previsto e a destruição das florestas também. Parar com a derrubada
de árvores em regiões como a Amazônia é fundamental para se
enfrentar o aquecimento global", alertou Roman, que calcula que o
fundo internacional de investimento proposto pelo Greenpeace, o
Florestas pelo Clima, poderia levantar cerca de US$ 30 bilhões até
2012.