As diferentes maneiras de se matar a floresta

Notícia - 27 - jan - 2009
"Na Amazônia, a impunidade mata e desmata." A mensagem, que permeou as discussões no segundo dia do Fórum Social Mundial, alerta para os perigos que rondam a floresta e são perpetuados pela falta de governança na região.

A missionária Dorothy Stang tinha 74 anos quando foi assassinada em fevereiro de 2005, na região de Anapu, no Pará.

O segundo dia de participação do Greenpeace no Fórum Social Mundial (FSM) foi intenso nesta quarta-feira (28/1), em Belém (PA), com exibição de um documentário e debate sobre o assassinato da missionária Dorothy Stang, e painel de discussão sobre desmatamento na Amazônia e sua relação com as mudanças climáticas. Os dois eventos expõem como a falta de governança na Amazônia permite que crimes ambientais e contra as populações locais se perpetuem na região.

O documentário "Eles Mataram Irmã Dorothy", do diretor Daniel Junge, atraiu muita gente para o auditório W. Bouhid do cinema da UFRA. A missionária foi assassinada há quatro anos em Anapu (PA) por um pistoleiro a mando de um fazendeiro da região. O diretor da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, Paulo Adario, participou de um debate após a exibição do filme, juntamente com Daniel Junge (diretor do documentário), irmã Jane (do Comitê Dorothy), padre Amaro (da Comissão Pastoral da Terra - CPT de Anapu), Felício Pontes (Ministério Público Federal no Pará) e moradores de Anapu.

"Os advogados de defesa dos acusados do crime, que tanto chocam as pessoas que vêem o filme, são apenas atores fazendo o seu trabalho. Mas se este filme não alavancar o debate sobre o sistema judicial e a certeza de impunidade que permeia a nossa sociedade atual, eu terei prestado um desserviço à sociedade", disse Daniel Junge, o diretor do filme.

"Este filme vai trazer as mudanças que tanto necessitamos para criar este outro mundo desejado pelos participantes do Fórum Social Mundial", disse David Stang, irmão da missionária.

Ainda no campus da UFRA, Adario participou também do painel Desmatamento Zero: a contribuição do Brasil no combate às mudanças climáticas. O evento contou ainda com a presença de Paulo Barreto, do Imazon, e de Roman Czebiniak, coordenador do programa Florestas pelo Clima do Greenpeace Internacional.

O painel mostrou aos presentes a importância de se zerar o desmatamento das florestas tropicais no mundo, melhorar a fiscalização e monitoramento, e criação de um fundo internacional para financiar atividades sustentáveis nessas regiões, para dar emprego e renda às comunidades locais.

"Se nada for feito agora em relação ao desmatamento de nossas florestas e às mudanças climáticas, vamos repetir o mesmo erro cometido pelo mundo financeiro e ter que correr atrás do prejuízo, que será bem maior do que estamos vendo agora com a crise ecônomica mundial", afirmou Paulo Adario.

"Temos que construir uma economia livre de carbono e que mantenha a floresta em pé, para que possamos ter estabilidade econômica, de emprego e proteção ambiental."

Para Roman Czebiniak, as novas evidências científicas mostram que a proteção das florestas é mais importante agora do que nunca.

"As mudanças climáticas estão num ritmo mais acelerado do que o previsto e a destruição das florestas também. Parar com a derrubada de árvores em regiões como a Amazônia é fundamental para se enfrentar o aquecimento global", alertou Roman, que calcula que o fundo internacional de investimento proposto pelo Greenpeace, o Florestas pelo Clima, poderia levantar cerca de US$ 30 bilhões até 2012.

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