Notícia - 20 - mar - 2008
Autoridades japonesas têm obrigação de barrar carga obtida no Santuário da Antártica que viola Convenção de Espécies Ameaçadas.
Um barco insuflável da Greenpeace tenta impedir que o Nisshin Maru, o navio-fábrica da frota baleeira japonesa, se reabasteça no Oceano Antárctico.
Quando o cargueiro panamenho Oriental Bluebird tentar
descarregar toneladas de carne de baleia empacotadas, prontas para
o comércio, as autoridades alfandegárias do porto japonês só têm
uma opção: barrar a sua entrada no país. Conforme mostra a
documentação entregue pelo Greenpeace à embaixada do Panamá no
Japão e ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês,
essa carga viola a Convenção sobre Comércio Internacional das
Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção
(CITES).
O tratado CITES regula o comércio internacional de animais e
plantas selvagens raras, e a categoria mais alta de proteção é o
Apêndice 1 para "espécies em perigo de extinção, afetadas pelo
comércio." A carga do Oriental Bluebird inclui carne de baleia
minke (Balaenoptera bonaerensis), uma das espécies listadas no
Apêndice 1. O Japão faz reservas à essa lista, o que permite o país
ignorar algumas restrições no comércio de baleias minke. Mas o
Panamá ratificou o tratado, com a inclusão de todas as espécies, e
portanto não pode importar ou exportar comercialmente baleias
minke. Como o cargueiro Oriental Bluebird tem bandeira panamenha,
está configurada a ilegalidade.
As autoridades panamenhas confirmaram na quinta-feira ao
Greenpeace queelas não concederam permissão alguma ao Oriental
Bluebird.
No dia 22 de janeiro deste ano, o navio-fábrica Nisshin Maru, da
frota baleeira japonesa, transferiu para o Oriental Bluebird
centenas de caixas de carne de baleia para venda comercial.
Tudo foi devidamente registrado em vídeo e fotografada pelos
tripulantes do navio Esperanza, do Greenpeace. Também foi
testemunhada pelo navio Oceanic Viking, do governo australiano. Na
oportunidade, outra irregularidade foi verificada: o navio-fábrica
Nisshin Maru foi reabastecido em águas antárticas, o que não é
permitido.
"O que vimos na Antártica foi a comprovação de que a tal
'pesquisacientífica' não passa de uma desculpa para o Japão
continuar burlando amoratória à caça de baleias na Antártica",
afirma Leandra Gonçalves,coordenadora da campanha de baleias do
Greenpeace Brasil que esteve abordo do Esperanza, navio do
Greenpeace,
durante a persguição aos baleeirosjaponeses para impedir a
matança nas águas antárticas.
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