Carne de baleia obtida pelo Greenpeace no Japão, durante uma investigação que revelou o contrabando do produto do navio-fábrica Nisshin Maru, que participa do programa baleeiro no Santuário da Antártica.
Os dois ativistas do Greenpeace presos no Japão depois de
denunciar um esquema de venda ilegal de carne de baleia foram
libertados nesta terça-feira mediante pagamento de fiança. Junichi
Sato e Toru Suzuki passaram 26 dias detidos sob acusação de interceptar uma caixa de
carne de baleia apresentada às autoridades japonesas como evidência
da existência da caça comercial de baleia no Japão, prática que
fere acordo internacional.
Apenas 10% dos pedidos de liberdade sob fiança são aceitos pelo
sistema penal japonês. O julgamento de Sato e Suzuki ainda não foi
marcado.
"Estamos extremamente aliviados porque nossos dois ativistas
foram finalmente libertados. No entanto, ainda fica a pergunta:
porque as investigações sobre a venda ilegal de carne de baleia
foram suspensas, apesar de todas as evidências apresentadas?" disse
Frode Pleym, da campanha de Baleias do Greenpeace
Internacional.
Durante quatro meses o Greenpeace investigou denúncias de antigos e atuais
trabalhadores da frota baleeira operada pela empresa Kyodo Senpaku
sobre a existência de um esquema de contrabando de carne de baleia.
O produto era retirado do navio fábrica Nisshin Maru e enviado para
a casa de membros da tripulação entre suas bagagens pessoais.
Uma das quatro caixas de carne de baleia, avaliada em US$ 3 mil,
foi interceptada pelos ativistas. A caixa foi exibida em uma
conferência de imprensa no dia 15 de maio e encaminhada Ministério
Público como evidência das denúncias, que foram arquivadas.
"Apelamos ao governo para seguir com o inquérito sobre a
corrupção na frota baleeira", disse Pleym. "A denúncia do
Greenpeace expõe um grande escândalo que envolve o dinheiro dos
contribuintes japoneses e a violação de um acordo internacional
firmado no âmbito Comissão Internacional Baleeira (CIB), que é a
proibição da caça comercial de baleias", completou Pleym.
A prisão dos ativistas mobilizou mais 30 organizações
não-governamentais de todo o mundo que enviaram cartas para as
autoridades japonesas pedindo a liberdade deles e a investigação
das denúncias do Greenpeace.
Cerca de 7,5 mil ativistas brasileiros enviaram e-mails de
protesto para as autoridades japonesas, que foram impressos e
entregues nos consulados do Japão em São Paulo e em Manaus por ativistas do Greenpeace
Brasil.
"É sempre muito importante a participação da sociedade civil em
qualquer luta ambiental. Esperamos manter o engajamento dos
brasileiros para cobrar do governo brasileiro uma postura mais
pró-ativa para a conservação de baleias", afirma Leandra Gonçalves,
coordenadora da campanha de Baleias do Greenpeace Brasil.
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