A polícia de Israel, com apoio da Marinha, prendeu nesta
segunda-feira ativistas e tripulantes do navio Rainbow Warrior, do
Greenpeace, que está em campanha no Mediterrâneo contra o uso de
carvão para a geração de energia.
As prisões foram feitas após uma ação direta pacífica que pintou
a frase "Desistam do Carvão", em inglês e hebreu, no casco de um
navio que descarregava carvão para a usina de Ashkelon. Os
ativistas, além de 12 tripulantes e passageiros do Rainbow Warrior,
entre eles o capitão do navio, Daniel Rizzotti, também foram
presos.
O Greenpeace quer que o governo israelense abandone seu plano de
construir uma nova usina à carvão em Ashkelon.
"Essa reação exagerada a um protesto pacífico nos faz questionar
quais são as prioridades do governo do Israel", afirma Nili
Grossman, do Greenpeace Mediterrâneo. "A verdadeira ameaça aqui é a
nova usina à carvão que querem construir em Ashkelon. As mudanças
climáticas são a maior ameaça que o mundo já enfrentou e o carvão é
seu principal combustível."
Os navios Rainbow Warrior e Arctic Sunrise, do Greenpeace, estão
levando a mensagem "Desistam do Carvão" para os países do
Mediterrâneo (Europa e Oriente Médio). De Israel a campanha iria
para a Polônia, onde serão realizadas em dezembro as negociações
das Nações Unidas para o clima. Deixar de usar o carvão é um passo
essencial em um acordo efetivo para salvar o clima. Os governos
europeus têm a chance real para mostrar liderança ao encerrarem as
operações com carvão em seus próprios países.
Os cenários previstos no relatório Revolução Energética mostram
como a energia renovável, combinada com programas de eficiência
energética, podem cortar as emissões de gás carbônico (CO2) em 50%
e fornecer metade da demanda do mundo por energia até 2050.
No Brasil, o governo tem dado sinais cada vez mais fortes de que
pretende ampliar a participação do carvão e do diesel na matriz
energética nacional, indo na contramão do que tem que ser feito
para se combater o aquecimento global.
"Não queremos que o Brasil faça parte do problema, como acontece
em países asiáticos, europeus e do Oriente Médio, mas sim da
solução. Para isso, temos que priorizar as fontes renovaveis de
energia que temos em abundância em nosso país, como a solar,
eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas (PCHs)", afirma
Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace Brasil.
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