Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos do Greenpeace, explica ao representante da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em Salvador, o risco que a exploração de petróleo representa ao Parque Marinho dos Abrolhos. O Greenpeace promoveu um protesto no escritório regional da ANP na capital baiana.
Ativistas do Greenpeace amarraram nesta quarta-feira à
escritório regional da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a placa
flutuante que foi utilizada no protesto em alto-mar realizado na
semana passada, na região de Abrolhos, onde se localiza um dos
blocos de exploração de gás e óleo ofertados pela ANP em 2003.
Durante a atividade, os ativistas também entregaram um manifesto
pela proteção de Abrolhos e pelo clima do planeta, assinado pela
Coalizão SOS Abrolhos*.
Clique aqui para baixar o manifesto
(arquivo .pdf)
A placa simboliza a ameaça representada pela exploração das
reservas de gás e óleo, o principal vetor do aquecimento global no
mundo. Em 2003 a ANP chegou a ofertar 243 blocos para exploração
que se localizavam no entorno do parque. Na ocasião, um grupo de
entidades ambientais se organizaram e impediram que a maioria dos
blocos fosse explorada, e conseguiram a criação da zona de
amortecimento (ZA), que visa diminuir os impactos na Unidade de
Conservação. Por não ter sido criada via decreto federal, a ZA, foi
derrubada mas, quando criada, oferecerá proteção permanente à
região de maior biodiversidade do Atlântico Sul.
Veja as fotos:
Com a mensagem "Lula: ABRa os OLHOS. Salve o Clima", o
Greenpeace exigiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a
criação, via decreto, da ZA com 95 mil quilômetros quadrados para
proteger o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e ajudar a manter a
capacidade dos oceanos de atuarem como reguladores climáticos.
A atividade faz parte da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou
Agora que está em Salvador com o navio Arctic Sunrise desde a
semana passada. Percorrendo sete cidades brasileiras para alertar a
população sobre a urgência de medidas de combate ao aquecimento
global, o tema de Abrolhos não poderia ficar de fora da
expedição.
"Os oceanos são o maior sumidouro de carbono do planeta e a
região possui espécies como as algas calcáreas, que funcionam como
depósitos de carbono", disse Leandra Gonçalves, coordenadora da
campanha de oceanos do Greenpeace.
"A criação de camarão e a exploração de gás e óleo no entorno do
Parque Marinho são os grandes vilões da preservação desta região,
prejudicando assim a sua função como regulador do clima do
planeta."
Assista ao vídeo:
A intenção de expandir a exploração destes combustíveis fósseis
também é preocupante do ponto de vista de emissão de gases do
efeito estufa. Em dezembro de 2008, o governo brasileiro lançou o
Plano Decenal de Energia Elétrica (PDEE), atualmente em consulta
pública. Na contramão dos esforços globais de combate às mudanças
climáticas, o plano prevê a instalação de 68 novas usinas
termelétricas fósseis no país, das quais 41 utilizarão óleo
combustível, um derivado do petróleo. A conseqüência será um
crescimento de 172% das emissões de gases de efeito estufa do setor
elétrico. As emissões do setor, que hoje somam 14,4 milhões de
toneladas, saltarão para 39,3 milhões de toneladas em 2017.
"O país não prioriza a utilização de energias renováveis, muito
importantes na redução de emissões de gases do efeito estufa. É
como se o país estivesse indo na contra mão dos esforços globais de
combate à crise climatica", alertou Leandra.
Abrolhos - Por sua biodiversidade ímpar, a região de
Abrolhos recebeu, em 1983, o primeiro parque nacional marinho da
América do Sul. São mais de 56 mil quilômetros quadrados na costa
sul da Bahia compostos pelas ilhas: Siriba, Redonda, Guarita,
Sueste e Santa Bárbara, que pertence à Marinha. Além do
arquipélago, o Parque inclui dois grandes blocos de recifes de
corais: o Parcel dos Abrolhos e o Recife das Timbebas.
* A Coalizão SOS Abrolhos é uma rede de organizações do
Terceiro Setor mobilizadas para proteger a região com a maior
biodiversidade marinha registrada no Atlântico Sul. A Coalizão SOS
Abrolhos surgiu em 2003, ano em que conquistou uma vitória inédita
para a conservação, ao impedir a exploração de petróleo e gás
natural naquela área. Atualmente a Coalizão está à frente da
Campanha "SOS Abrolhos: Pescadores e Manguezais Ameaçados". A
Coalizão é formada pela Rede de ONGs da Mata Atlântica; Fundação
SOS Mata Atlântica; Conservação Internacional (CI-Brasil);
Instituto Terramar; Grupo Ambientalista da Bahia - Gambá; Instituto
Baleia Jubarte; Environmental Justice Foundation - EJF; Patrulha
Ecológica; Associação de Estudos Costeiros e Marinhos de Abrolhos -
ECOMAR; Núcleo de Estudos em Manguezais da UERJ; Movimento Cultural
Arte Manha; Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Teixeira de
Freitas; Mangrove Action Project - MAP; Coalizão Internacional da
Vida Silvestre - IWC/BRASIL; Aquasis - Associação de Pesquisa e
Preservação de Ecossistemas Aquáticos; Agência Brasileira de
Gerenciamento Costeiro; Centro de Estudos e Pesquisas para o
Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia - CEPEDES; PANGEA - Centro
de Estudos Sócio Ambientais, Instituto BiomaBrasil, Associação
Flora Brasil e Greenpeace.