Ativistas se algemam na Paulista em protesto do Greenpeace

Notícia - 7 - dez - 2008
Manifestação no Brasil faz parte de uma série que acontece em todo o mundo nesta semana

Ativistas e simpatizantes da causa se prenderam uns aos outros com algemas para dar apoio aos dois ambientalistas japoneses que podem ser condenados a até 30 anos de prisão.

Na semana do aniversário de 60 anos da declaração dos Direitos Humanos, ativistas do Greenpeace de todo o mundo organizarão manifestações de apoio a dois ambientalistas japoneses que podem ser condenados a até 30 anos de prisão. No Brasil, o protesto aconteceu nesta segunda-feira (8/12), na avenida Paulista, em frente ao vão livre do MASP, onde ativistas e simpatizantes da causa se prenderam uns aos outros com algemas.

Assista o vídeo:

Além disso, diretores executivos dos escritórios do Greenpeace de vários diferentes países, incluindo o brasileiro Marcelo Furtado, estão no Japão para convencer os embaixadores de seus países a pressionar as autoridades japonesas a serem justas no julgamento. "Houve uma inversão de papéis, os responsáveis pelo programa de caça científica, que na verdade é um disfarce para a caça comercial de baleias, é que deveriam estar respondendo a um processo", diz Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace.

Os dois ativistas japoneses, Junichi Sato e Toru Suzuki foram presos no dia 20 de junho, depois de denunciarem um grande esquema de venda de carne de baleia, proibida por uma moratória por mais de 20 anos, envolvendo o governo japonês. Depois de quatro meses de investigação, o Greenpeace chegou a indícios de um esquema de tráfico de carne de baleia envolvendo a tripulação do navio-fábrica Nisshin Maru, que oficialmente caça baleias para pesquisas científicas.

Uma das caixas retiradas do barco foi interceptada pelos ativistas para comprovar o esquema de fraude. A identificação dizia que a caixa continha papelão, mas na realidade trazia 23,5 quilos de carne de baleia, com valor estimado de US$ 3 mil. "Está claro que a prisão dos ativistas é um ato político para silenciar um protesto pacífico e proteger o chamado programa científico de caças a baleias, financiado pelo governo japonês com os impostos da população oriental", diz a coordenadora da campanha de baleias, Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace.

A carne de baleia não faz mais parte da cultura japonesa. De acordo com pesquisa encomendada pelo Greenpeace, 71% da população é contra a caça. Em outra pesquisa, realizada pelo jornal japonês Asahi, 96% dos entrevistados disseram que poucas vezes ou nunca comem a carne.

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