Notícia - 9 - ago - 2007
Obra, que deveria custar 2,5 bilhões de euros, já consumiu mais de 4 bilhões em investimentos
Os atrasos na construção do reator número 3 da usina nuclear de
Olkiluoto, na Finlândia, anunciados nesta sexta, comprovam
novamente que a energia nuclear é uma opção cara, perigosa e
divergente das reais soluções no combate às mudanças climáticas. Os
atrasos são resultantes de problemas no reforço da estrutura do
reator - exigido para que este possa resistir a impactos como o de
queda de um avião. Olkiluoto é o único exemplo de um Reator de Água
Pressurizada (EPR), símbolo do renascimento da energia nuclear.
"A indústria nuclear diz que se modificou e que o EPR é um
símbolo da capacidade de se fornecer uma energia de baixo-custo que
não emite CO2. Os atrasos na construção de Olkiluoto demonstram que
esse novo formato carrega consigo os mesmos velhos problemas:
complicações, custos progressivos, questões crônicas de segurança e
a falta de transparência", disse o coordenador da campanha de
Nuclear do Greenpeace Internacional, Jan Beránek. Os projetistas do
reator sabiam, desde 2001, que ele deveria ser resistente a ataques
aéreos. E quando a construção do reator foi autorizada, a população
finlandesa foi falsamente informada de que o projeto já estava
dentro dessas normas.
A companhia responsável pela construção, TVO, também estimou que
o reator de 1600 MW custaria 2,5 bilhões de euros e levaria quatro
anos para ser finalizado. Os custos já superam 4 bilhões de euros e
as obras estão atrasadas em dois anos, pelo menos. A proposta era
não utilizar subsídios públicos, mas, na realidade, a construção
está sendo paga por impostos de contribuintes franceses e suecos,
além de um pequeno percentual vindo de bancos estatais.
A proposta de Revolução Energética do Greenpeace mostra
claramente que as necessidades energéticas mundiais podem ser
supridas por meio de renováveis e medidas de eficiência, sem que
seja necessário recorrer à energia nuclear. "Os outros governos
precisam dar atenção aos avisos do fiasco de Olkiluoto. O poder
nuclear é um caro desvio das reais soluções contra as mudanças do
clima. Não devemos gastar mais tempo nem dinheiro nessa aventura
mortal do século 20", afirmou Beránek.
O Greenpeace reivindica que as companhias envolvidas, TVO e STUK
façam imediatamente a lista de problemas de qualidade e de
segurança na construção do reator de Olkiluoto. Existem até agora
1500 defeitos listados e muitos componentes cruciais para a
segurança da usina foram remanufaturados ou reparados.