Audiência Pública discute POPs no Rio Grande do Sul

Notícia - 15 - mai - 2001
Assembléia gaúcha envia apoio à assinatura da Convenção da ONU sobre o assunto e estabelece realização de seminário no estado

A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul discutiu hoje a poluição tóxica no estado (1). A problemática dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) foi ilustrada pelo caso de contaminação tóxica gerada pela siderúrgica Gerdau Riograndense, denunciada pelo Greenpeace em janeiro deste ano (2).

"As empresas relutam em admitir que são fontes de POPs. Por muito tempo, a indústria libera estas substâncias no meio ambiente, comprometendo a saúde das comunidades locais e contaminando a natureza", disse Karen Suassuna, coordenadora da campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace. "A siderúrgica Gerdau, por exemplo, não implementou nenhuma medida para cessar a fonte de poluição química. A empresa sabe que seus filtros não são adequados para remover este tipo de poluente (3) e a população continua sendo exposta a estas substâncias altamente tóxicas".

A Convenção POPs da Organização das Nações Unidas será realizada entre 21 e 23 de maio, em Estocolmo, Suécia. O Brasil, juntamente com mais de 131 países, participará da assinatura do tratado internacional que visa o banimento de uma lista inicial de 12 POPs. O Greenpeace considera a assinatura da Convenção POPs uma vitória das organizações que lutaram nos últimos anos pela elaboração do tratado.

A organização ambientalista demandou do governo e indústrias a implementação imediata dos princípios da Convenção de POPs no Estado. A Assembléia do Estado decidiu pelo envio de carta oficial (4) aos Ministérios de Relações Exteriores, Agricultura e Saúde solicitando a assinatura e implementação da convenção pelo Brasil. Os deputados presentes decidiram ainda realizar um grande seminário no Rio Grande do Sul para realizar uma ampla discussão do assunto.

"Queremos agora que a decisão brasileira se concretize. Para isso, é necessário implementarmos imediatamente as medidas de eliminação destas substâncias tóxicas, persistentes e bioacumulativas" diz Karen Suassuna. "Tecnologias limpas devem ser adotadas com urgência para evitar a contaminação por POPs e sua disseminação no meio ambiente".

(1) O evento contou com a presença da Dra. Gerda Callef, neurologista e presidente da Associação Médica do Rio Grande o Sul, que expôs os danos dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) à saúde humana. Organizações ambientalistas como o Greenpeace, Agapam e Amigos da Terra também participaram da discussão, além do Promotor do Ministério Público Estadual, José Guilherme Giacomizzi, e o Presidente da FEPAM, Nilvo Silva.

(2) O Greenpeace denunciou em janeiro deste ano a contaminação do meio ambiente por Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) e metais pesados, gerada pela siderúrgica Gerdau Riograndense. A organização vem acompanhando o caso junto ao Ministério Publico Estadual e a FEPAM. O Greenpeace já abordou outros casos de contaminação por POPs no estado, como a contaminação gerada pela Riocell e pela recicladora PSA, no Vale dos Sinos. O entidade também acompanha o caso dos estoques de agrotóxicos persistentes que se encontram no estado, propondo, juntamente com a ONG Amigos da Terra, tecnologias alternativas a incineração para eliminação destas substâncias.

(3) As amostras coletadas na planta da siderúrgica em Sapucaia do Sul apresentaram ascarel tipo Arocloro 1254, substância extremamente tóxica. Na poeira emitida pela empresa foram identificados 162 compostos poluentes. Foram detectadas também altas concentrações de metais pesados como cádmio, mercúrio e zinco.

(4) Assinaram a carta endereçada aos Ministérios grande parte dos presentes, incluindo os representantes das indústrias Gerdau, Milênia e Riocell.

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