A Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do
Rio Grande do Sul discutiu hoje a poluição tóxica no estado (1). A
problemática dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) foi
ilustrada pelo caso de contaminação tóxica gerada pela siderúrgica
Gerdau Riograndense, denunciada pelo Greenpeace em janeiro deste
ano (2).
"As empresas relutam em admitir que são fontes de POPs. Por
muito tempo, a indústria libera estas substâncias no meio ambiente,
comprometendo a saúde das comunidades locais e contaminando a
natureza", disse Karen Suassuna, coordenadora da campanha de
Substâncias Tóxicas do Greenpeace. "A siderúrgica Gerdau, por
exemplo, não implementou nenhuma medida para cessar a fonte de
poluição química. A empresa sabe que seus filtros não são adequados
para remover este tipo de poluente (3) e a população continua sendo
exposta a estas substâncias altamente tóxicas".
A Convenção POPs da Organização das Nações Unidas será realizada
entre 21 e 23 de maio, em Estocolmo, Suécia. O Brasil, juntamente
com mais de 131 países, participará da assinatura do tratado
internacional que visa o banimento de uma lista inicial de 12 POPs.
O Greenpeace considera a assinatura da Convenção POPs uma vitória
das organizações que lutaram nos últimos anos pela elaboração do
tratado.
A organização ambientalista demandou do governo e indústrias a
implementação imediata dos princípios da Convenção de POPs no
Estado. A Assembléia do Estado decidiu pelo envio de carta oficial
(4) aos Ministérios de Relações Exteriores, Agricultura e Saúde
solicitando a assinatura e implementação da convenção pelo Brasil.
Os deputados presentes decidiram ainda realizar um grande seminário
no Rio Grande do Sul para realizar uma ampla discussão do
assunto.
"Queremos agora que a decisão brasileira se concretize. Para
isso, é necessário implementarmos imediatamente as medidas de
eliminação destas substâncias tóxicas, persistentes e
bioacumulativas" diz Karen Suassuna. "Tecnologias limpas devem ser
adotadas com urgência para evitar a contaminação por POPs e sua
disseminação no meio ambiente".
(1) O evento contou com a presença da Dra. Gerda Callef,
neurologista e presidente da Associação Médica do Rio Grande o Sul,
que expôs os danos dos Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) à
saúde humana. Organizações ambientalistas como o Greenpeace, Agapam
e Amigos da Terra também participaram da discussão, além do
Promotor do Ministério Público Estadual, José Guilherme Giacomizzi,
e o Presidente da FEPAM, Nilvo Silva.
(2) O Greenpeace denunciou em janeiro deste ano a contaminação
do meio ambiente por Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) e
metais pesados, gerada pela siderúrgica Gerdau Riograndense. A
organização vem acompanhando o caso junto ao Ministério Publico
Estadual e a FEPAM. O Greenpeace já abordou outros casos de
contaminação por POPs no estado, como a contaminação gerada pela
Riocell e pela recicladora PSA, no Vale dos Sinos. O entidade
também acompanha o caso dos estoques de agrotóxicos persistentes
que se encontram no estado, propondo, juntamente com a ONG Amigos
da Terra, tecnologias alternativas a incineração para eliminação
destas substâncias.
(3) As amostras coletadas na planta da siderúrgica em Sapucaia
do Sul apresentaram ascarel tipo Arocloro 1254, substância
extremamente tóxica. Na poeira emitida pela empresa foram
identificados 162 compostos poluentes. Foram detectadas também
altas concentrações de metais pesados como cádmio, mercúrio e
zinco.
(4) Assinaram a carta endereçada aos Ministérios grande parte
dos presentes, incluindo os representantes das indústrias Gerdau,
Milênia e Riocell.