Uma grande faixa com a mensagem "Perigo: Salvem o clima já!" foi colocada por ativistas do Greenpeace na entrada do prédio que abrigou a 27a. reunião do IPCC.
Para reforçar a importância da última reunião do ano do Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em
inglês), inicada nesta segunda-feira em Valência, na Espanha,
ativistas do Greenpeace estenderam uma faixa de 400 metros
quadrados no local do evento com a mensagem: "Perigo: salvem o
clima já".
Durante o encontro, os cientistas do IPCC (
recém-premiados com o Prêmio Nobel da Paz por sua defesa do
clima) vão finalizar seu documento mais importante do ano - o
relatório síntese, que traz os dados consolidados de todo o
conhecimento científico sobre mudanças climáticas e deve guiar os
tomadores de decisão nos próximos anos. Em dezembro, representantes
de governos de todo o mundo estarão reunidos em Bali, na Indonésia,
para discutir uma segunda fase do Protocolo de Kyoto, com o
estabelecimento de compromisso obrigatório dos países com metas e
limites mais rígidos de emissão de gases do efeito estufa.
"Este relatório do IPCC será uma referência sobre mudanças
climáticas para os tomadores de decisão política", diz Stephanie
Tunmore do Greenpeace Internacional. "O Relatório Síntese esboça o
problema, a causa e as soluções, e ainda fornece diretrizes para
ações urgentes no campo climático a serem tomadas pelos governos,
empresários e indivíduos".
Entenda aqui o que são as mudanças climáticas e os impactos que
podem ter sobre nossa vida.
"Dentro de três semanas, negociadores dos governos de todo o
mundo se encontrarão em Bali, Indonésia, para decidir os próximos
passos a serem tomados na proteção do clima. A urgência reiterada
pela comunidade científica deve direcionar todas decisões e tornar
as medidas de combate à mudança climática prioritárias", afirma
Tunmore.
No caso brasileiro, a principal questão a ser enfrentada é o
desmatamento da Amazônia, responsável pela maior parte das emissões
brasileiras de gases do efeito estufa. Os índices anuais da
derrubada da floresta cresceram muito a partir de 2000 e atingiram
um pico de 27,4 mil quilômetros quadrados entre 2003 e 2004 - o
segundo maior da história brasileira.
Nos três anos seguintes houve uma queda chegando, em julho de
2007, a uma estimativa de aproximadamente 10 mil km2, sendo que no
ano de 2006 aproximadamente 14 mil km2 foram desmatados. A
derrubada de árvores diminuiu, mas uma área equivalente à metade do
estado de Sergipe foi cortada e queimada em apenas um ano. Em 2004
em torno de 30% do desmatamento registrado era ilegal, esse número
subiu para 90% em 2006. No total, cerca de 17% da Amazônia já foi
desmatado, o equivalente a quase 700 mil quilômetros quadrados.
"A mensagem é muito clara: não temos tempo a perder. Entramos
numa era de responsabilidade e ação. O Governo brasileiro precisa
mudar a retórica do 'direito de poluir para crescer' e assumir que,
como parte do problema, devemos participar ativamente na luta
contra o aquecimento global. Devemos assumir o compromisso pelo
desmatamento zero, que garante a conservação de florestas com o a
Amazônica e elimina nossa maior fonte de emissões", afirma Marcelo
Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace.
Confira aqui o nosso relatório Mudanças do Clima, Mudanças de
Vidas, que documentou os impactos do aquecimento global no
Brasil.
Saiba mais:
Confira o nosso relatório Revolução Energética, que traz o
caminho das pedras para suprir a demanda do mundo por energia até
2050 usando basicamente fontes renováveis e programas de
eficiência.
Leia também:
Ativistas do Greenpeace agitam Congresso Mundial de Energia, em
Roma