Monitoramento da safra 2008-2009 cruzou dados de desmatamento apontados pelos satélites utilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) com sobrevôos e pesquisa de campo.
O Greenpeace lançou hoje a quinta edição do boletim Amazonia
Viva! que traz as últimas notícias sobre o trabalho de
implementação da moratória da soja. A moratória, anunciada em 24 de
julho de 2006, é o compromisso das empresas comercializadoras de
não comprarem soja de áreas desmatadas na Amazônia após esta data.
A publicação é distribuída para as empresas nacionais e
internacionais que consomem soja.
Clique aqui para ler a íntegra do boletim Amazônia
Viva!
A novidade do boletim é a divulgação dos dados encontrados
durante o monitoramento independente da soja. Entre janeiro e
fevereiro de 2009, Greenpeace foi a campo e encontrou soja em 10
áreas recém-desmatadas e com menos de 100 hectares no Mato Grosso.
Ao todo, 200 áreas foram sobrevoadas neste estado e também no Pará.
De acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais), o número de polígonos desmatados menores que 25
hectares aumentou de 73,3% em 2007 para 89% em 2008. Esses dados
reforçam um padrão já observado no campo de que a expansão das
fazendas de soja está acontecendo cada vez mais sobre áreas
pequenas às margens dos remanescentes florestais.
Baixe aqui a íntegra do monitoramento da
soja.
"Para continuar cumprindo o compromisso de não comercializar
soja de áreas recém desmatadas, nossos resultados exigem uma
rediscussão da metodologia de monitoramento que permita ampliar a
vigilância sobre áreas menores", disse Raquel de Carvalho, da
campanha Amazônia do Greenpeace.
O estudo também identificou que, das 10 áreas encontradas com
soja, seis não estão registradas no Sistema Integrado de
Monitoramento e Licenciamento Ambiental de Mato Grosso, o que
dificulta a segregação da soja e a identificação dos produtores.
Apesar de o Brasil possuir um dos sistemas mais avançados de
monitoramento de desmatamento do mundo, mais de 40 milhões de
hectares de terra supostamente de domínio privado são alvo de
irregularidades. O registro e o georreferenciamento das
propriedades são essenciais para o monitoramento efetivo e a
produção responsável da soja.
Tour
Virtual:
Clique aqui para ver fotos georreferenciadas
das áreas recém desmatadas e com soja. Para visualizar as fotos e
imagens de satélite da área é preciso ter instalado o aplicativo
Google Earth. Se você não possui, clique aqui
para fazer o download.
O monitoramento do Greenpeace é realizado para complementar o
trabalho da empresa de monitoramento agrícola Globalsat, contratada
pela indústria de soja para inspecionar o plantio do grão a cada
safra. Este ano a Globalsat também identificou 12 áreas com soja
totalizando aproximadamente 1.396 hectares de área plantada. A indústria já confirmou que não vai comprar esta
soja e que vai restringir o acesso destes produtores a créditos
na próxima safra. No monitoramento do ano passado, tanto o
Greenpeace quanto a Globalsat, não identificaram nenhuma área
recém-desmatada com soja, porém detectaram várias novas áreas
desmatadas no entorno ou dentro de fazendas produtoras de soja,
sinalizando que possivelmente na safra 2008/2009 essas áreas seriam
ocupadas com o grão