Boletim Amazonia Viva! informa empresas que consomem soja brasileira sobre os avanços da moratória

Notícia - 10 - mai - 2009
Dados inéditos do monitoramento da soja realizado pelo Greenpeace são o destaque desta edição

Monitoramento da safra 2008-2009 cruzou dados de desmatamento apontados pelos satélites utilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) com sobrevôos e pesquisa de campo.

O Greenpeace lançou hoje a quinta edição do boletim Amazonia Viva! que traz as últimas notícias sobre o trabalho de implementação da moratória da soja. A moratória, anunciada em 24 de julho de 2006, é o compromisso das empresas comercializadoras de não comprarem soja de áreas desmatadas na Amazônia após esta data. A publicação é distribuída para as empresas nacionais e internacionais que consomem soja.

Clique aqui para ler a íntegra do boletim Amazônia Viva!

A novidade do boletim é a divulgação dos dados encontrados durante o monitoramento independente da soja. Entre janeiro e fevereiro de 2009, Greenpeace foi a campo e encontrou soja em 10 áreas recém-desmatadas e com menos de 100 hectares no Mato Grosso. Ao todo, 200 áreas foram sobrevoadas neste estado e também no Pará. De acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o número de polígonos desmatados menores que 25 hectares aumentou de 73,3% em 2007 para 89% em 2008. Esses dados reforçam um padrão já observado no campo de que a expansão das fazendas de soja está acontecendo cada vez mais sobre áreas pequenas às margens dos remanescentes florestais.

Baixe aqui a íntegra do monitoramento da soja.

"Para continuar cumprindo o compromisso de não comercializar soja de áreas recém desmatadas, nossos resultados exigem uma rediscussão da metodologia de monitoramento que permita ampliar a vigilância sobre áreas menores", disse Raquel de Carvalho, da campanha Amazônia do Greenpeace.

O estudo também identificou que, das 10 áreas encontradas com soja, seis não estão registradas no Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental de Mato Grosso, o que dificulta a segregação da soja e a identificação dos produtores. Apesar de o Brasil possuir um dos sistemas mais avançados de monitoramento de desmatamento do mundo, mais de 40 milhões de hectares de terra supostamente de domínio privado são alvo de irregularidades. O registro e o georreferenciamento das propriedades são essenciais para o monitoramento efetivo e a produção responsável da soja.

Tour Virtual:

Clique aqui para ver fotos  georreferenciadas das áreas recém desmatadas e com soja. Para visualizar as fotos e imagens de satélite da área é preciso ter instalado o aplicativo Google Earth. Se você não possui, clique aqui para fazer o download.

O monitoramento do Greenpeace é realizado para complementar o trabalho da empresa de monitoramento agrícola Globalsat, contratada pela indústria de soja para inspecionar o plantio do grão a cada safra. Este ano a Globalsat também identificou 12 áreas com soja totalizando aproximadamente 1.396 hectares de área plantada. A indústria já confirmou que não vai comprar esta soja e que vai restringir o acesso destes produtores a créditos na próxima safra. No monitoramento do ano passado, tanto o Greenpeace quanto a Globalsat, não identificaram nenhuma área recém-desmatada com soja, porém detectaram várias novas áreas desmatadas no entorno ou dentro de fazendas produtoras de soja, sinalizando que possivelmente na safra 2008/2009 essas áreas seriam ocupadas com o grão

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