Apesar das muitas dúvidas - e algumas certezas - contra o milho transgênico, a maioria dos ministros do Conselho Nacional de Biossegurança autorizou o plantio e comercialização no país de variedades geneticamente modificadas da Monsanto e Bayer.
Os governos reunidos em Bonn (Alemanha) para a 4a Reunião das
Partes do Procotocolo de Cartagena sobre Biossegurança fracassaram
na tentativa de chegar a um acordo sobre regras internacionais que
façam poluidores pagarem por danos causados pelos
transgênicos ao meio ambiente, à biodiversidade, à saúde
humana e aos agricultores.
Japão e Brasil foram os principais articuladores das obstruções
durante toda a semana de negociações, bloqueando qualquer tentativa
de introduzir regras claras que tornem as empresas de biotecnologia
responsáveis pelos danos. Os governos presentes à reunião
concordaram em prosseguir com as negociações para a criação de um
regime de responsabilização que tenha força de lei, mas não
conseguiram chegar a um acordo sobre os detalhes de funcionamento
desse regime.
"A boa notícia é que todos os países concordam com regras que
tenham valor de lei e não sejam apenas voluntárias, mas a atitude
destrutiva do Brasil e do Japão traz preocupação para as futuras
rodadas de negociação", disse Doreen Stabinsky, coordenadora da
campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Internacional.
Na última terça-feira (13/5), o Brasil foi denunciado em Bonn por seis entidades
da sociedade civil - entre elas o Greenpeace - por não
cumprir o Protocolo de Cartagena, ao não adotar
medidas que garantam a biossegurança no país.
Até hoje, já foram registrados mais de 216 casos de contaminação
causados por transgênicos em 57 países. No Brasil, o número de
casos de contaminação deve aumentar após a recente aprovação de
variedades de milho transgênico, no início desse ano.
Confira o sumário executivo do relatório Registro
de Contaminação Transgência de 2007.
"No momento em que o país perde a sua última ponta de
credibilidade ambiental, com a saída da Ministra Marina Silva, a
postura adotada pelo governo aqui na Alemanha serve como evidência
da falta de interesse em sustentar qualquer política que alie
desenvolvimento e sustentabilidade", disse Gabriela Vuolo,
coordenadora da campanha de Engenharia Genetica do Greenpeace
Brasil que está em Bonn acompanhando as reuniões do Protocolo de
Cartagena. "Eximir as indústrias de biotecnologia da
responsabilidade pelos danos causados por suas variedades
transgênicas é ináceitavel e vai contra a propria legislação
brasileira. Esperamos que isso seja revisto para as próximas
rodadas de negociação."
Confira mais detalhes da reunião do Protocolo de
Cartagena em Bonn no blog Outra Agricultura.
A 4a Reunião das Partes do Procotocolo de Cartagena sobre
Biossegurança, iniciada na última segunda-feira, termina hoje. Com
o fim do encontro, a decisão final sobre regras de
responsabilização e compensação por danos causados por transgênicos
ficou para a 5ª Reunião das Partes, que acontecerá no Japão, em
2010.
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reavaliados por Agência de Segurança Alimentar.