Notícia - 4 - mar - 2008
Presidente dos EUA insiste na energia nuclear e em reduções voluntárias de emissões na luta contra o aquecimento global, ignorando mais uma vez a viabilidade das energias renováveis
O potencial de países como o Brasil para a geração de energia por meio de fazendas eólica é gigantesco e o custo (financeiro e ambiental) bem menor do que o de fontes sujas como a nuclear.
A capital norte-americana está sediando, de terça aquinta-feira
desta semana, a Terceira Conferência Internacional de
EnergiasRenováveis. Evento importantíssimo para a segurança
energética e odesenvolvimento dos mercados de fontes renováveis, a
conferência atraiu apresença de 80 ministros de meio ambiente e a
representação de 120 países.
Apesar disso, as esperanças de elaboração de um
planointernacional de ação, contendo metas ambiciosas e projetos
claros para as energiasrenováveis, foram abaladas hoje de manhã
pelo presidente dos EUA, George W.Bush. Em seu discurso oficial,
Bush insistiu em soluções falsas como energianuclear e ações
voluntárias para reduzir emissões de gases estufa ao invés
deassumir a utilização maciça de energias renováveis e a eficiência
energéticacomo resposta ao aquecimento global. "Bush continua a
promover o vazio, assimcomo tem feito em seus encontros com outros
grandes emissores, a fim dedivergir das negociações climáticas
lideradas pela ONU", disse Sven Teske,especialista em energia do
Greenpeace Internacional.
A Terceira Conferência Internacional de Energias Renováveisde
Washington é parte de um processo paralelo iniciado em Johanesburgo
em 2002.Por não tratar-se de um evento oficial das Nações Unidas,
não pode gerarcompromissos com vínculo legal para os países
participantes. Ainda assim, 60países já se comprometeram com o
"Programa Internacional de Ação deWashington", que lista as metas
nacionais de expansão das renováveis, incluindomedidas de mercado e
políticas públicas.
Enquanto isso, no Brasil, as energias renováveis
aindaengatinham, por conta de obstáculos políticos e financeiros
que não foramsuperados pelo PROINFA (Programa de Incentivo às
Fontes Alternativas) do governofederal. Para o Greenpeace, apenas a
adoção de um marco regulatório que ofereçagarantias estruturais e
contratuais para a geração renovável pode efetivar essemercado no
país. Discutir e aprovar essa legislação ainda em 2008 é
justamentea missão da recém-criada Comissão Especial sobre Fontes
Renováveis de Energiado Congresso Nacional.
A criação da Comissão Especial e a aprovação de uma lei deacesso
prioritário à rede para a geração renovável no curto prazo são
passosimportantes para viabilizar novos empreendimentos e abrir
este mercado, quemovimentou no mundo cerca de US$ 75 bilhões de
dólares apenas no ano passado",disse Ricardo Baitelo, coordenador
da Campanha de Energias Renováveis doGreenpeace Brasil.