Campanha de proteção aos mares brasileiros chega a Salvador

Notícia - 9 - set - 2008
Objetivo inicial do trabalho é informar a sociedade sobre a importância dos oceanos e a urgência de medidas de preservação

Túnel sensorial que chegou a Salvador explica os principais problemas e soluções para os oceanos diagnosticados pela nova campanha do Greenpeace.

O Greenpeace promoveu nesta quarta-feira, em Salvador, o lançamentode sua primeira campanha em defesa dos oceanos no Brasil. O trabalho,que terá a duração de pelo menos três anos, tem início com uma série deatividades de divulgação de informações sobre o tema: publicação dorelatório À deriva - Um Panorama dos Mares Brasileiros, lançamento dovídeo O Mar é nosso? e inauguração da instalação sensorial Entre NessaOnda.

Conheça aqui detalhes do relatório À Deriva.

Veja aqui um trailer do vídeo.

Acerimônia de lançamento, realizada no Shopping Salvador, contou com apresença do secretário estadual do Meio Ambiente, Juliano Matos e derepresentantes das ONGs Conservação Internacional e do Grupo deAmbientalistas da Bahia (Gambá), Guilherme Fraga Dutra e Renato Cunha,

respectivamente.

Os materiais apontam as principais ameaças para os oceanos - aquecimento

global, pesca predatória, diminuição da biodiversidade, descaso governamental etc - e sugerem soluções.

"Umadas saídas é a criação de áreas marinhas protegidas, que são espaçosnaturais reservados para garantir a reposição das espécies marinhas",diz Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos doGreenpeace.

Os oceanos cobrem 71% da superfície da Terra e são os responsáveis por

50% do oxigênio que respiramos.

"Eles estão muito presentes nonosso cotidiano, mas a maior parte das pessoas não se dá conta disso essociam os mares somente ao lazer da praia", diz Leandra. "A primeiraarte desse trabalho tem o objetivo de informar, sensibilizar econvocar  sociedade para um engajamento urgente pela conservação dosmares. Os ceanos são muito importantes para nós. Se eles ficam doentes,o planeta inteiro sofre", afirma a ambientalista.

Mares da Bahia - Entre as ameaças aos mares da Bahia está a pesca predatória, principalmente quando realizada com explosivos. A prática,

além de dizimar diversas espécies de peixes, causa danos ao fundo dos

mares e à saúde dos pescadores, muitas vezes vítimas de graves acidentes

causados pelos explosivos. É necessário um trabalho de informação e

engajamento das comunidades de pesca locais, sobre os impactos da pesca

predatória e os benefícios da criação e manutenção de áreas marinhas

protegidas no litoral baiano.

Abrolhos, primeiro parque nacional marinho brasileiro, que já foiexemplo de conservação, hoje sofre com carência de recursos humanos efinanceiros para garantir as atividades de fiscalização eimplementação. Outro grave problema no extremo sul da Bahia foi aderrubada da Zona de Amortecimento, que protegeria o entorno do Parquede atividades impactantes, como a exploração de gás e óleo e a criaçãode camarão em região de manguezal.

"O governo estadual da Bahia deveria encarar a conservação dos oceanos

como uma prioridade e exigir a retomada da Zona de Amortecimento do

Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. É necessário proteger a

biodiversidade dos impactos do desenvolvimento econômico, não aliados à

uma política de sustentabilidade", afirma Leandra.

Um dos objetivos da campanha de oceanos do Greenpeace é divulgar

informações sobre a situação precária de áreas marinhas protegidas como

Abrolhos. "Também vamos exigir do governo a criação e implementação

efetiva de outras áreas" diz Leandra.

A instalação interativa "Entre Nessa Onda" é a atração de 10 a 20 de

setembro no Shopping Salvador. Dentro de um túnel de quase 30 metros de

comprimento e 210 metros quadrados, foram criados quatro diferentes

ambientes que, com a ajuda de sons e aromas, retratam o estado de

conservação dos oceanos. No final, os visitantes são convidados a

assistir um documentário de 12 minutos.

Bandeira antiga - A campanha pelos mares brasileiros é uma expansão do

trabalho de conservação dos oceanos que o Greenpeace desenvolve desde

1974, quando a organização fez a sua primeira campanha em defesa das

baleias. Naquele tempo, o Greenpeace já incluía nas discussões temas

como sobre aquecimento global, pesca predatória, contaminação dos

oceanos e exploração de gás e petróleo.

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