
A nova campanha do Greenpeace, intitulada Veneno Doméstico,
recebeu o apoio da atriz Ingra Liberato e do músico Duca
Leindecker. O casal abriu sua casa para que os ativistas da
organização coletassem amostras de poeira, que serão enviadas para
análise das substâncias tóxicas. O objetivo da campanha é, no
primeiro momento, detectar a presença de elementos tóxicos nocivos
para a saúde e o meio ambiente na poeira doméstica. Com isso, o
Greenpeace pretende chamar a atenção da população para o fato de
que substâncias utilizadas na fabricação de tapetes, televisores,
brinquedos e cosméticos podem estar contaminando as pessoas dentro
de suas próprias casas.
"Em primeiro lugar, eu decidi participar da
Campanha Veneno Doméstico para contribuir com a pesquisa do
Greenpeace e, em segundo lugar, para ajudar a levar informação para
as pessoas sobre o perigo da presença das substâncias tóxicas que
existem pela casa, de que nem sequer nos damos conta. Eu me
preocupo muito com a melhora da qualidade de vida no planeta e esta
campanha do Greenpeace trabalha neste sentido", disse a atriz.
Durante o mês de novembro, a campanha do Greenpeace aspirou a
poeira de 50 casas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio
Grande do Sul. Além disso, coletou amostras de poeira no Ministério
do Meio Ambiente e no gabinete de alguns deputados federais e
senadores, no Congresso Nacional, em Brasília (DF).A análise das
substâncias químicas tóxicas será feita pelo laboratório holandês
TNO, um mais adequados no mundo para a tarefa. O resultado será
conhecido em fevereiro de 2004.
"Esses compostos podem causar disfunções nos sistemas reprodutor
e imunológico, sendo que alguns deles são potencialmente
cancerígenos", afirma o coordenador da Campanha de Substâncias
Tóxicas do Greenpeace, John Butcher.
O Greenpeace quer que alguns princípios e diretrizes sejam
incorporados na futura política nacional de segurança química que
está sendo discutida atualmente. A demanda da organização é que ela
incorpore os Princípios da Substituição (banimento das substâncias
tóxicas, substituindo-as por alternativas não tóxicas), da
Precaução (na dúvida sobre o risco de determinada substância, ela
não deve ser desenvolvida ou usada), e o conceito do Direito à
Informação (todos temos o direito de saber o que o produto que
compramos realmente contêm, e quais os riscos reais ou potenciais
das substâncias utilizadas em sua fabricação). "Somente com uma
legislação rígida, aliada a programas de incentivo, mais a
aplicação de mecanismos de fiscalização, será possível evitar que
sejamos expostos a substâncias tóxicas diariamente", diz John
Butcher.
Saiba mais:
Confira o relatório "Consuming chemicals: Hazardous chemicals in house
dust as an indicator of chemical exposure in the home", sobre a
campanha na Europa. Confira também a versão em português do sumário executivo do relatório.