Usinas termelétricas a carvão, como essa da Alemanha, são as principais fontes de emissões de gases do efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global.
Que tal pegar uma doença desconhecida, de propósito, e apostar
que um dia, quem sabe, a ciência médica encontrará a cura para ela?
No mínimo, absurdo, não? Pois é justamente que a indústria de
energia e muitos governos estão sugerindo ao defender a tecnologia
de captura e armazenamento de carbono para combater o aquecimento
global e as mudanças climáticas.
A tecnologia é uma vã promessa ainda, já que ninguém conseguiu
encontrar meios de se capturar, eficientemente, a quantidade de
carbono emitido por termelétricas a carvão e petróleo, e
armazená-la no subsolo para que não aqueça nosso planeta ainda
mais. Ainda assim a indústria têm usado o desenvolvimento dessa
tecnologia como desculpa para construir mais e mais usinas a
carvão, grandes emissoras de dióxido de carbono (CO2).
Relatório lançado pelo Greenpeace nesta segunda-feira, Falsa
Esperança, põe o dedo nessa ferida e defende que os governos devam
priorizar investimentos em soluções de energia sustentável para
combater a crise climática.
Clique aqui para ler o relatório (arquivo pdf,
texto em inglês).
Mais de 100 ONGs de 20 diferentes países se juntaram ao
Greenpeace nascríticas à tecnologia de captura e armazenamento de
carbono, exigindoque ela não seja usada como desculpa para a
construção de novastermelétricas a carvão. Os governos devem dar
prioridade a soluções deenergia sustentável.
"A tecnologia de captura e armazenamento de carvão é uma
fraude", afirma Emily Rochon, autora do relatório e campaigner de
clima e energia do Greenpeace Internacional. "É uma insanidade,
quase uma negligência criminosa, trocar investimentos em energia
limpa por uma tecnologia que ainda não foi comprovada. Governos e
empresas precisam reduzir suas emissões, não procurar desculpas
para continuar queimando carvão."
Repleta de incertezas sobre sua praticidade e seu custo, a
tecnologia de captura e armazenamento de carbono só deve ser
tecnicamente possível a partir de 2030, se tanto. Até lá, no
entanto, pouco será útil para combater as mudanças climáticas, que
precisa de soluções imediatas, para os próximos anos. O consenso
entre especialistas de clima é que as emissões globais de gases do
efeito estufa têm que atingir um pico em 2015 e serem reduzidas
pela metade em 2050.
Investimentos fúteis nessa tecnologia ameaçam as iniciativas
voltadas para energias renováveis e esforços de economia de
energia. Mas a indústria de energia que continuar poluindo como
sempre e não consegue enxergar o horizonte além do carvão.
Enquanto a indústria e alguns governos se deixam envolver pelo
canto da sereia da captura de carbono, soluções viáveis e
inteligentes como o investimento em energias limpas (solar, eólica,
geotérmica, etc) são ignoradas, num claro sinal de que não
pretendem mudar o status quo de produção de energia. O relatório [R]evolução Energética, lançado
pelo Greenpeace no início de 2007, mostra que se tivéssemos
programas de eficiência energética e investimentos em energia
renovável, as emissões de gases do efeito estufa poderiam ser
diminuídas pela metade até 2050. As fontes de energia renovável do
mundo hoje são suficientes para suprir até seis vezes as atuais
necessidades energéticas do planeta.
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