Carga de madeira ilegal da Amazônia é bloqueada na França.
Um navio vindo do Brasil carregado de madeira de origem duvidosa
foi bloqueado nesta segunda-feira por ativistas do Greenpeace na
França. Os ativistas da Alemanha, Inglaterra, Itália e Chile
abordaram o cargueiro Galina III, que estava indo para o porto de
Caen, no norte da França, para descarregar a madeira. Eles
permanecem a bordo do cargueiro, que está sendo seguido pelo Arctic
Sunrise, navio do Greenpeace.
"A exploração ilegal de madeira abre as portas para que a
floresta amazônica seja destruída, acelerando as mudanças
climáticas e colocando em risco a biodiversidade e o modo de vida
de milhares de comunidades tradicionais", afirma Marcelo
Marquesini, engenheiro florestal e ativista do Greenpeace, que
participou da atividade na França.
"A União Européia é o maior importador de madeira amazônica do
mundo e não possui um sistema de verificação de origem do produto,
permitindo que empresas que atuam de forma clandestina e com
madeira vinda de desmatamento abasteçam o seu mercado com madeira
ilegal. Isso torna os países europeus co-responsáveis pela
destruição da Amazônia."
Entenda o caso:
Relatório revela produção ilegal
Relatório do Greenpeace divulgado nesta segunda-feira
revela como a produção ilegal de madeira na Amazônia continua sendo
um problema crônico, não resolvido pelo governo brasileiro e
pelos estados amazônicos, apesar do tema ter sido incluído no Plano
de Ação para Controle e Prevenção do Desmatamento, lançado em março
de 2004. Estima-se que 80% da madeira explorada na região sejam
produzidos de forma ilegal. O governo Lula assumiu que pelo menos
63% da produção anual - 40 milhões de metros cúbicos - sejam
ilegais. Porém, a madeira sai dos portos brasileiros totalmente
legalizada graças às falhas no sistema de controle e monitoramento
da produção.
As empresas importadoras européias, por sua vez, justificam
estarem comprando madeira com documentos legais quando, na
realidade, estão financiando a exploração ilegal que segue
destruindo grandes áreas de florestas, promovendo o desmatamento,
facilitando a grilagem de terras e incentivando a corrupção e a
violência contra comunidades.
"Se a União Européia quiser zerar o desmatamento e combater os
impactos das mudanças climáticas, ela precisa usar seu poder
econômico para introduzir uma nova e rigorosa legislação florestal
para banir a entrada de madeira ilegal e predatória no mercado
europeu", disse Judy Rodrigues, da campanha de florestas do
Greenpeace Internacional.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por
aproximadamente um quinto das emissões globais de gases de efeito
estufa - mais do que todo o setor de transportes do mundo inteiro.
A Amazônia brasileira já perdeu 700 mil quilômetros quadrados da
sua cobertura florestal original nos últimos 40 anos - uma área
duas vezes e meia maior que o Estado de São Paulo. O desmatamento é
a maior fonte de emissões brasileiras de gases de efeito estufa,
colocando o país na posição de quarto maior poluidor do mundo.
O desmatamento na Amazônia aumentou de 1997 a 2004 quando
atingiu o pico de 27.400 quilômetros quadrados, com apenas 30%
deste total tendo sido autorizados. Nos três anos seguintes, no
entanto, o índice anual de destruição florestal caiu, registrando
11.200 quilômetros quadrados em julho de 2007. O receio de uma
retomada no desmatamento foi confirmado no início deste ano, quando
dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe) mostraram um aumento no desmatamento entre agosto e dezembro
de 2007 (7 mil quilômetros quadrados), em comparação com o mesmo
período do ano anterior.
Bahia amiga da Amazônia
No Brasil, o Estado da Bahia deu um importante passo no combate
ao desmatamento na Amazônia e às mudanças climáticas no Brasil. O
governador Jaques Wagner (PT-BA) assinou nesta segunda-feira
(17/03) o Termo de Compromisso pelo Futuro da Floresta,
aderindo ao programa Estado Amigo da Amazônia, do Greenpeace. O
programa Estado Amigo da Amazônia prevê a criação de leis locais
que eliminem madeira ilegal e de desmatamento de todas as compras e
obras públicas dos estados, além do estabelecimento de ações
efetivas de controle e fiscalização do fluxo e da comercialização
de madeira nativa (não apenas amazônica) no território baiano. Com
isso, o programa deve ajudar a criar condições de mercado para a
madeira produzida de forma responsável e sustentável na
Amazônia.
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