Ativistas dirigem carro dos Flintstones pelas ruas de Bruxelas numa crítica ao pensamento pré-histórico da indústria automobilística, que faz tudo o que pode para sabotar legislação européia para reduzir emissões de CO2 dos carros, em defesa do clima.
Por mais modernos e velozes que seus carros possam parecer, a
indústria automobilística tem adotado cada vez mais um pensamento
jurássico em relação à proteção do clima. Em vez de priorizar a
questão das mudanças climáticas e produzir veículos que emitam
menos CO2, os fabricantes pensam apenas nos lucros imediatos e no
lobby político que têm que fazer para garanti-los.
Para expor essa situação ao público, ativistas do Greenpeace
circularam pelas ruas da capital belga com um carro que parecia
saído diretamente do desenho animado Flintstones. A idéia era ir da
sede da Associação Européia de Fabricante de Automóveis (Acea, na
sigla em inglês) até o Parlamento Europeu, onde estão sendo
discutidas leis para impor a redução de emissões de CO2 nos
veículos fabricados na União Européia. Mas a polícia belga não
permitiu: deteve os ativistas e apreendeu o veículo
flintstoniano. E era um carro totalmente livre de
emissões.
"Nossos ativistas e seu veículo com zero de emissão de CO2
estãoalertando sobre a má influência que a indústria está exercendo
sobre apolítica climática da Europa", afirma Melanie Francis, da
campanha deTransporte do Greenpeace Internacional.
Confira no vídeo abaixo como foi o passeio do nosso carro em
Bruxelas:
Enquanto isso, fabricantes de carros poluidores como BMW,
Mercedes-Benz e Volkswagen continuam livres para produzir carros
que trazem altos custos ao planeta. É o que revela o relatório
Dirigindo as Mudanças Climáticas: Como a Indústria Automobilística
faz Lobby para Sabotar a Legislação Européia de Eficiência
Energética, lançado pelo Greenpeace durante o protesto.
Para ler o relatório, clique aqui (arquivo pdf para baixar - com
versões em inglês, espanhol, alemão e italiano).
"Esse relatório mostra como a indústria de automóveis, liderada
pelas empresas alemãs, manipulou a União Européia por 17 anos.
Chegamos ao ponto dela agora pôr em risco a habilidade da União
Européia de atingir suas obrigações dentro do Protocolo de Kyoto",
afirma Agnes de Rooij, da campanha de Transportes do Greenpeace
Internacional.
O relatório destaca como as empresas alemãs de automóveis
venceram a "guerra de negócios" contra os fabricantes franceses e
italianos, por exemplo, que têm demonstrado maior preocupação em
relação às emissões de seus veículos. Também revela como a
indústria costuma premiar políticos que apóiam suas idéias com
carros e outros 'brindes', e como ela conseguiu atrasar por sete
anos a adoção de novas leis para reduzir as emissões de CO2 dos
carros.
Para o coordenador da campanha de clima do Greenpeace Brasil,
Luis Piva, o protesto foi uma forma irreverente de chamar a atenção
para um sério problema.
"O setor dos transportes é um dos grandes vetores da mudança
climática no mundo. No Brasil, nossa primeira lição de casa é zerar
o desmatamento da amazonia e a segunda prioridade reduzir as
emissões do setor de transporte e geração de energia", disse
Piva.
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