Notícia - 4 - jun - 2007
Inimigo Íntimo
A entrevista com a nova Secretária Nacional de Mudanças
Climáticas, Thelma Krug do Ministério de Meio Ambiente (MMA)
demonstra uma assustadora semelhança com o discurso do Presidente
Bush na semana passada no lançamento de sua nova
"iniciativa pelo clima e energia" - ambas são atrasadas,
limitadas e perigosas. Fica a pergunta no ar: está é a nova posição
da Ministra Marina?
A representante do MMA ao considerar a opção nuclear para o
Brasil ignora os cenários alternativos desenvolvidos pela sociedade
civil e academia brasileira (como a Revolução Energética elaborado
pelo Greenpeace/GPEA-USP) no qual o Brasil poderá gerar a energia
que precisa para crescer eliminando as energias sujas como carvão,
diesel e nuclear.
A Secretária não acredita em "desmatamento zero" que na prática
significa garantir maior governança nas florestas, por meio de
políticas de combate ao desmatamento e fortalecimento das
instituições responsáveis pela implementação e fiscalização.
Uma
política de "desmatamento zero" visa coibir a destruição e
valorizar a floresta em pé e seus serviços ambientais. Como disse a
Ministra Marina, é possível dobrar a produção agropecuária no país,
usando áreas já degradadas e sem derrubar nenhuma árvore na
Amazônia.
A ausência de uma política nacional de combate ao aquecimento
global é uma vergonha e não temos dois anos para esperar um estudo
que indicará a necessidade de eliminar o desmatamento, ampliar a
participação das energias renováveis na matriz energética
brasileira, identificar as áreas e setores socioeconômicos mais
vulneráveis, e elaborar um plano de adaptação para as populações
que já estão vivendo as conseqüências do aquecimento global no
Brasil.
A população brasileira exige informação e respostas, e não temos
dois anos para esperar. O Brasil é o quarto maior emissor de gases
efeito estufa do planeta e tem que assumir a sua responsabilidade,
que é obviamente, menor que a dos paises ricos que historicamente
contribuíram para o problema, mas não é nula. Esta é uma década de
vontade política e responsabilidade moral. Se nem a autoridade
máxima do MMA para clima sabe qual nosso objetivo em relação a taxa
de desmatamento temos pela frente um problema tão sério quanto a
sociedade americana com seu presidente Bush.