Carta pede ao Ibama devolução de árvore entregue a madeireiros

Notícia - 22 - out - 2007
Greenpeace lamenta o fato do órgão federal ter se curvado à pressão de madeireiros e cancelado autorização para transporte de castanheira destinada à exposição.

Tora de castanheira 'sequestrada' por madeireiros do Pará seria usada em expedição itinerante sobre desmatamento na Amazônia

O Greenpeace encaminhou nesta terça-feira carta à presidência do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) lamentando o fato de a instituição ter se curvado à pressão de madeireiros e cancelado autorização para transportar uma tora de castanheira destinada à exposição sobre a Amazônia no sudeste do país.

A castanheira, espécie protegida por lei, havia sido queimada e derrubada na região de Castelo de Sonhos, oeste do Pará. A autorização para a coleta e transporte havia sido dada ao Greenpeace pelo próprio Ibama, mas foi revogada depois que ativistas da organização foram cercados por cerca de 300 pessoas e forçados a permanecer durante quase dois dias na base do Ibama. A árvore foi entregue aos madeireiros.

"Atrair a atenção da opinião pública para a necessidade de fortalecer a presença do Estado tem sido para nós uma estratégia de contribuir para as soluções que levem ao desenvolvimento da região de forma socialmente justa e ambientalmente responsável. Fazer a vontade dos destruidores da floresta não contribui para fortalecer o governo na região", afirma o Greenpeace em nota.

Na carta, enviada com cópia a vários ministros e ao governo do Pará, o Greenpeace pede nova autorização para o transporte e garantias de segurança para o deslocamento da árvore. A tora de castanheira é peça fundamental da exposição itinerante "Aquecimento Global: apague essa idéia", organizada pelo Greenpeace, para mobilizar a opinião pública brasileira em defesa da floresta amazônica e sensibilizá-la sobre o papel do desmatamento nas mudanças climáticas. Três quartos das emissões brasileiras de gases do efeito estufa vêm do desmatamento e das queimadas, principalmente na Amazônia, colocando o Brasil entre os quatro maiores poluidores mundiais do clima.

"Se o governo Lula não consegue nem garantir que uma tora de castanheira - derrubada ilegalmente no Pará - seja transportada com licença oficial e em segurança para ser utilizada em um evento com fins educativos, como pretende convencer a opinião pública mundial de que pode proteger a Floresta Amazônica, parar o desmatamento e evitar o agravamento do aquecimento global?", pergunta Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, do Greenpeace.

Para a organização ambientalista, o governo deve assumir uma posição de vanguarda em defesa da biodiversidade e do clima em vez de ceder às pressões dos inimigos das florestas nos rincões da Amazônia e em Brasília. Setores do governo estão apoiando projeto de lei que, na prática, reduz de 80% para 50% a área que tem de ser mantida com cobertura florestal original na Amazônia e modifica o conceito de Reserva Legal, um dos marcos da legislação florestal brasileira.

O projeto de lei, que atende a interesses da bancada ruralista e das confederações nacionais da Indústria e da Agricultura (CNI e CNA), está na Câmara dos Deputados, depois de ter sido aprovado pelo Senado. Se aprovada, a proposta permitirá a substituição de extensas áreas de florestas brasileiras por cana, dendê e eucalipto, podendo resultar em várias regiões do país livres de florestas. A Câmara tem duas semanas para analisar o projeto e devolvê-lo ao Senado.

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