O Greenpeace exigiu hoje da Secretaria do Meio Ambiente do
Estado do Rio de Janeiro ações concretas para impedir que a Bayer
continue lançando poluição tóxica em Belford Roxo na baixada
fluminense. Ativistas levaram uma aspirina gigante para o Palácio
Guanabara, sede do governo do estado, com a inscrição "Bayer: chega
de poluição".
Em janeiro deste ano, a organização ambientalista
denunciou que o incinerador de resíduos da Bayer em Belford Roxo
(1) polui a região com PCBs (ascarel) (2), poluente orgânico
persistente (POP) altamente tóxico. Na época, o presidente da
FEEMA, Axel Grael, afirmou que os dados oficiais disponíveis eram
compatíveis com a denúncia feita pelo Greenpeace e que a Bayer era
uma de suas prioridades. O presidente da FEEMA afirmou também que
estava negociando um ajustamento de conduta com a empresa para até
o início de março de 2001. Por solicitação do Ministério Público
estadual, o sr. Grael prometeu disponibilizar todas as informações
disponíveis sobre a empresa. Quatro meses depois, nada foi feito e
a Bayer continua incinerando resíduos tóxicos perigosos, enquanto
alternativas seguras de eliminação de POPs existem ao redor do
mundo (3).
Os ativistas do Greenpeace foram recebidos pelo secretário
estadual de Meio Ambiente, André Corrêa, e pelo presidente da
FEEMA, Axel Grael. As autoridades não conseguiram explicar a falta
de ações concretas e prometeram entregar hoje às 14 horas para o
Greenpeace todas as informações solicitadas. O Secretário afirmou
também que a empresa terá que se ajustar ou então será fechada.
"É inadmissível que o órgão público responsável
pela qualidade ambiental sonegue informações e proteja os
interesses de uma empresa. Ficaremos de olho para saber se a Bayer
será ou não obrigada a respeitar o meio ambiente", diz Karen
Suassuna, da campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace.
O ascarel (4), proibido no Brasil desde 1981, é uma das
substâncias tóxicas listada na Convenção POPs da Organização das
Nações Unidas (ONU). Mais de 130 países assinam hoje em Estocolmo a
Convenção de POPs, acordo internacional que visa banir do planeta
"os 12 sujos" (5) no período de uma geração (25 anos). "A
assinatura da Convenção POPs é um grande passo em direção a um
futuro sem poluição tóxica. Todos os cidadãos têm o direito de
viver em um ambiente saudável e livre de contaminantes", conclui
Suassuna.
(1) Em janeiro, vinte ativistas do Greenpeace invadiram e
escalaram o incinerador da Bayer, em Belford Roxo, para denunciar a
contaminação do meio ambiente por ascarel. Todos os ativistas foram
detidos. O Greenpeace demandou da empresa que interrompesse a
queima de POPs e a prestação deste serviço a terceiros, além de um
cronograma para o fechamento do incinerador. O protesto fez parte
da Expedição das Américas - viagem de cinco meses pelo continente
americano para denunciar casos de contaminação por POPs.
(2) Para se defender das denúncias do Greenpeace, a Bayer afirma
nunca ter produzido ascarel em sua fábrica de Belford Roxo. No
entanto, os dados apresentados pela organização ambientalista têm
como base as emissões de resíduos tóxicos do processo de
incineração. A Bayer tem licença da FEEMA para queimar ascarel e
presta este serviço a terceiros.
(3) Tecnologias alternativas à incineração para eliminação de
POPs, como a redução química em fase gasosa, já foram utilizadas na
descontaminação de DDTs, PCBs e hexaclorobenzenos em Kwinana, na
Austrália. A mesma tecnologia foi utilizada pela General Motors do
Canadá para a eliminação de PCBs, pelas Forças Armadas
norte-americanas para a destruição de armas químicas contendo POPs,
e pelo Japão para a eliminação de PCBs e dioxinas. Outra tecnologia
limpa é a decloração catalisada por base, já autorizada para uso
nos EUA, Austrália, México, Japão e Espanha para a eliminação de
DDTs, PCBs, dioxinas e furanos.
(4) A exposição aos PCBs, ou ascarel, foi relacionada a uma
ampla gama de efeitos à saúde humana, destacando-se prejuízos ao
sistema nervoso central, danos ao rim, hepatotoxicidade, alterações
dos níveis de hormônio, do sistema reprodutivo e indução de aborto
em fases iniciais de gravidez, entre outros.
(5) Os "12 Sujos", como são conhecidos, são: dioxinas, furanos,
PCBs, hexaclorobenzeno, mirex, heptacloro, DDT, dieldrin, clordano,
toxafeno, aldrin e endrin. A Convenção POPs deverá ser assinada
ainda hoje, em Estocolmo, Suécia, por mais de cem países, tendo
como objetivo a eliminação global destas substâncias.
(6) Confira o relatório completo sobre a contaminação em
Belford Roxo/RJ causada pela Bayer.