Ativistas despejaram cerca de cinco toneladas de cabeças de atum em frente ao Ministério da Pesca francês, em Paris, para protestar contra a pesca predatória que pode provocar o colapso comercial da espécie.
Ativistas do Greenpeace despejaram nesta segunda-feira (17/11)
cerca de cinco toneladas de cabeças de atum na frente do Ministério
da Pesca da França, em Paris, para protestar contra um possível
colapso da exploração comercial da espécie no Oceano Atlântico e no
Mar Mediterrâneo. A ação foi programada para coincidir com a
abertura do encontro anual da Comissão Internacional
para a Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT, na sigla em
inglês), que acontece em Marraquesh, no Marrocos.
A França está com a presidência da União Européia e tem usado o
cargo para formar a posição européia em favor dos interesses
imediatistas da indústria pesqueira, acima das necessidades
urgentes de recuperação dos estoques de atum azul, que estão à
beira do colapso. A população de atum no Atlântico e no
Mediterrâneo está a cargo da ICCAT, entidade formada por
representantes de 45 países, mais a comunidade européia.
Em 2006, após anos de altos níveis de pesca pirata, a ICCAT
concordou em adotar um plano de recuperação para o atum (da espécie
thunnus thynnus), que permitia a captura de no máximo 29,5
mil toneladas do peixe na parte leste do Atlântico e no Mar
Mediterrâneo. O próprio Comitê Científico da ICCAT recomendou um
limite sustentável de 15 mil toneladas. Desde então os mesmos
cientistas estimaram que a captura de atum nas duas regiões estava
em algo em torno de 67 mil toneladas.
"O tempo e o atum estão acabando", afirma François Provost, da
campanha de Oceanos do Greenpeace Internacional, que está
participando da reunião da ICCAT.
"A comissão sem rumo, seu plano de recuperação da população de
atum está em frangalhos e a pesca totalmente fora de controle."
O Greenpeace quer que a pesca do atum seja suspensa até que
reservas marinhas sejam estabelecidas para proteger a espécie, e
que a capacidade pesqueira volte a níveis sustentáveis, além do
estabelecimento de um novo plano de gerenciamento da pesca, de
acordo com os dados científicos disponíveis.
"A menos que a reunião desta semana da ICCAT dê passos sérios
para resolver o problema, os países ali representados serão os
responsáveis pelo colapso de uma das mais rentáveis e importantes
atividades pesqueiras de nosso tempo, destruindo o modo de vida de
pescadores da região", afirma Sebastian Losada, da campanha de
Oceanos do Greenpeace Espanha, que também participa da reunião em
Marraquesh.
O Greenpeace está em campanha para a criação de uma rede global
de reservas marinhas que cubram 40% dos oceanos. Assim, seria
possível não apenas proteger os mares dos impactos das mudanças
climáticas, mas também restaurar o estoque pesqueiro e proteger a
vida marinha da destruição de seu habitat.
Conheça aqui a nossa lista vermelha de
peixes ameaçados (em inglês).
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