Ao som de tambores, pandeiro e cavaquinhos, mais de 2 mil
crianças, entre 6 e 13 anos, saíram às ruas de Curitiba, capital do
Paraná, com fantasias coloridas, para pedir uma chance e um futuro
para a vida no planeta. Carregando faixas e cartazes com mensagens
nas mais diferentes línguas, os jovens sambaram e cantaram para
chamar a atenção de representantes de governos que participam da 8a
Conferência da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade
Biológica (CDB) sobre a urgente necessidade de se proteger as
florestas e oceanos. A CDB, que termina dia 31 de março, é
considerada uma das mais importantes reuniões ambientais do planeta
e, este ano, conta a participação de mais de 70 ministros de meio
ambiente.
Durante o desfile, a ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva veio de encontro às crianças e jovens, com
outros ministros. Em cima do caminhão do Greenpeace, a Ministra
pediu respeito com todas as formas de vida na natureza e uma chance
para a vida no planeta: "Se não mudarmos agora, é possível que o
processo de destruição seja tão terrível que vamos comprometer o
futuro das gerações que ainda nem nasceram. Nós não temos esse
direito". Marina também agradeceu a presença das crianças e jovens:
"Não permitam que essa seiva verde no coração de vocês venha a
secar. Ela irriga os sonhos e os sentimentos mais profundos de um
mundo melhor".
As delegadas juvenis do programa Jovens pelas Florestas do
Brasil, Alana Silva, e da Rússia, Shauro Tatiana, expressaram sua
preocupação quanto à necessidade de proteger a biodiversidade para
os ministros: "Eu não sou apenas um pedaço de madeira que você pode
transformar em móveis, que você pode transformar em dinheiro. Eu
sou a vida. Ajam agora. Salvem a vida na Terra".
"Já passou da hora de governos de todo o mundo
inverterem suas prioridades: proteger em vez de destruir, investir
em conservação em vez de destruir para lucrar", disse Marcelo
Marquesini. "Este é o futuro que eu quero para as novas gerações:
que o seu mundo seja cheio de florestas, com ainda mais espécies de
plantas e animais do que hoje: as que conhecemos e as que ainda
serão descobertas".
Para o Greenpeace, o futuro da biodiversidade do planeta está
intimamente ligado à força de uma rede global de áreas protegidas,
tanto em termos de sua configuração espacial quando da diversidade
de habitats. Mapas e relatórios divulgados na semana passada pela
organização ambientalista expõem o peso das atividades humanas -
como o desmatamento ilegal impulsionado pela expansão da fronteira
agropecuária na Amazônia e a exploração predatória de madeira -
sobre as últimas florestas do planeta. O estudo revela que menos de
10% da superfície terrestre no mundo permanece com cobertura
original de florestas, revelando a necessidade do estabelecimento
urgente de uma rede global de áreas protegidas.
O Greenpeace também exige a paralisação imediata da pesca de
arrasto em águas profundas e demais atividades predatórias, bem
como o estabelecimento de uma rede de reservas para a conservação
da biodiversidade marinha e a adoção de mecanismos internacionais
de monitoramento.
"Mas, apenas a criação de unidades de conservação não é
suficiente. Se por um lado o governo brasileiro tem cumprido suas
metas de criar novas unidades de conservação, a falta de
implementação destas áreas pode colocar em risco todo o sucesso
obtido. O Brasil ainda está longe de garantir a proteção da
biodiversidade e não investiu o necessário para frear a destruição
da Amazônia", disse Marquesini.
O Samba pela Vida foi criado especialmente para o desfile do
programa Jovens pelas Florestas, do Greenpeace. O desfile também
contou com a participação dos autores do samba Léo Viana,
compositor da União da Ilha, e Rubinho da Costa nos cavaquinhos. De
Curitiba, Ciro Morais puxando o samba e Zezinho do Pandeiro, no
pandeiro. O evento de hoje foi realizado com a participação de três
parceiros: o Projeto ECOS, da Universidade Livre do Meio Ambiente
(Unilivre), a União dos Escoteiros do Brasil da região Paraná, e a
ONG Grande Roda de Tambores.