Notícia - 4 - jun - 2009
A leitura das duas listas indicando como cada senador votou na
longa sessão de quarta feira à noite em que foi aprovada a MP 458,
que privatizou 67 milhões de hectares de terras públicas na
Amazônia é cheia de tristes surpresas. A primeira delas é o número
de senadores presentes à uma sessão que decidiria um assunto de
extrema relevância para o futuro do país. Dos 81 homens e mulheres
eleitos para sentar lá, apenas 40 estavam presentes à primeira
sessão, onde simplesmente se votou quem era contra e quem era a
favor da medida provisória. O placar foi acachapante.
Trinta e sete senadores votaram em favor da legalização da
grilagem de terras públicas. Entre eles, estavam notórios
defensores do desmatamento, como Kátia Abreu (DEM-TO) e Mozarildo
Cavalcânti (PTB-RR). Mas ao grupo, juntou-se gente com eleitorado
eminentemente urbano, como Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Sergio
Guerra (PSDB-PE), que pelo menos em teoria nada ganham votando em
favor de interesses ruralistas. Dele também fez parte senador que
adora se dizer moderno e progressista, como Tasso Jereissati
(PSDB-CE). Nessa primeira votação, houve uma abstenção, de Renato
Casagrande (PSB-ES), e apenas dois votos contra a MP, cravados por
Pedro Simon (PMDB-RS) e Flavio Arns (PT-PR).
Marina Silva (PT-AC), estava presente no Senado, mas preferiu
não registrar seu voto na primeira sessão, numa tentativa
desesperada de não dar quorum à votação. Na segunda, porém, foi à
tribuna, fez um discurso emocionado e angariou 21 votos contra as
piores partes da medida provisória, como a que permite entregar
terras à empresas e a que dispensa a titulação sem um vistoria
prévia por agentes do governo. A senadora perdeu, mas conseguiu
aguar ao menos um pouco a vitória ruralista.
Lista de votos primeira sessão: Clique aqui
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