Fotos revelam a existência de uma imensa pilha de madeira extraída da floresta boreal canadense a ser usada para a fabricação de produtos descartáveis da empresa Kimberly-Clark. A madeira vem da floresta Ogoki, última área ecologicamente valiosa da floresta boreal de Ontario, no Canadá.
Novas e chocantes fotos divulgadas semana passada revelaram a
existência de uma imensa pilha de toras envelhecidas que estão
destinadas a se tornar produtos descartáveis como lenços de papel
Kleenex e papel higiênico Cottonelle, ambas marcas da
Kimberly-Clark Corporation. As toras vieram da Floresta Ogoki, a
última área ecologicamente valiosa da Floresta Boreal em Ontario,
Canadá.
A pilha de madeira é evidência da flagrante negligência da
Kimberly-Clark com as florestas apesar das alegações de que "boa
parte da fibra da floresta boreal canadense chega à empresa na
forma de polpa de madeira fabricada com serragem e sobras
adquiridas no processo de produção da madeira."
Como as fotos e a recente correspondência do governo revelam, a
Kimberly-Clark está atualmente comprando grandes quantidades de
polpa feitas principalmente de árvores inteiras de áreas intactas
da floresta boreal do Canadá. De acordo com o ministro do Meio
Ambiente de Ontario, a pilha identificada contém 85 mil metros
cúbicos de madeira, em dados de março de 2008. Isso equivale a mais
de 7 mil caminhões madereiros repletos de madeira. Desde o
fechamento de uma serraria na região em junho de 2008, essa madeira
tem sido levada para outro local em Terrace Bay, onde está sendo
transformada em polpa para a Kleenex.
O pior é que mesmo com essa pilha gigantesca de madeira já
cortada e esperando para ser transformada em polpa, a floresta
Ogoki continua sendo derrubada, em grande parte para suprir as
demandas da Kimberly-Clark.
Alguns dados importantes:
* No final de março 2008, a pilha estava com 85 mil metros
cúbicos de madeira, o equivalente a mais de 7 mil caminhões
repletos.
* De acordo com o Ministéro do Meio Ambiente de Ontario, Canadá,
a pilha agora diminuiu para 12 mil metros cúbicos, já que grande
parte da polpa foi embarcada para Terrace Bay para processamento,
desde o fechamento da serraria Nakina, em junho.
* A distância entre o local original da pilha para o atual é de
6 a 7 horas.
* A Kimberly-Clark compra todos os anos 55% das 420 mil
toneladas métricas de polpa produzida na serraria de Terrace Bay,
uma quantidade igual ao peso de 1.150 aviões jumbos.
* A Kimberly-Clark usa a polpa produzida em Terrace Bay para
fabricar os lenços de papel Kleenex, os papéis higiênicos
Cottonelle, entre outros produtos que são vendidos na América do
Norte e Europa.
A floresta Ogoki é a área mais ao norte de Ontario, Canadá,
sujeita a ação madeireira. Diferentemente de outras florestas da
província que foram exploradas nos últimos 100 anos, a primeira
madeireira industrial em Ogoki só começou a operar em 1998. Por
essa razão, é a área mais intacta de todas as áreas de manejo de
florestas em Ontario. Por causa dos problemas de manejo da floresta
Kenogami, a cargo da Kimberly-Clark e depois Buchanan Forest
Products, e também devido ao insucesso da regeneração dessa área, a
madeireira Buchanan está procurando atuar mais ao norte para suprir
sua serraria em Terrace Bay.
O tamanho, localização e estado quase primitivo da floresta
Ogoki a transforma em habitat crítico para algumas espécies
animais, como o ameaçado caribu. Suas árvores e o solo local são
também críticos para a mitigação das mudanças climáticas. A
floresta Kenogami hoje é uma paisagem seriamente danificada, com
problemas ambientais, graças à negligência da Kimberly-Clark que
durou 70 anos. A floresta Ogoki não pode se tornar a próxima
Kenogami.
Infelizmente, como mostram as novas evidências fotográficas,
Ogoki já está sujeita aos mesmos problemas verificados em Kenogami.
A Kimberly-Clark parece querer arriscar a total devastação de mais
um valioso ecossistema para fabricar seus produtos descartáveis de
papel.
Sob a luz da descoberta dessa impressionante pilha de madeira
pertencente a uma antiga floresta boreal, o Greenpeace quer que a
empresa garanta que nenhuma fibra da floresta Ogoki entre em sua
cadeia de produção, revisando seu ineficiente e insustentável modo
de produção.
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